Ilusões de Vida

(Francisco Otaviano)

Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.

 
QUANDO VIER
ME VISITAR

Quando vier me visitar
Traga flores,
Muitas delas...
Porém,
não me traga
apenas flores:
Não se esqueça
de juntar a elas
A beleza do seu sorriso,
A ternura do seu olhar,
A força do seu abraço.
O calor dos seus beijos...

Quando vier me visitar,
Traga flores,
Muitas delas...
Mas não esqueça
de tirar-lhes
Os espinhos
que machucam,
As folhas envelhecidas,
Os galhos secos,
As dores embutidas...

Quando vier me visitar,
Traga flores,
Muitas delas...
Perfumadas, coloridas,
alegres:
Todas parecidas
com você!
Quando vier me visitar,
Traga você por inteiro...
As flores?
Nem sei se vai precisar!

Autora: Débora Bellentani

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"A vida é isso:
sonhar até que
um dia a realidade
aconteça."

"Cruel não é amar:
cruel é descobrir-se amado
quando se é tarde demais."

"Perdoar é olhar
para a cicatriz
e não se lembrar da dor."

"O que me impede
de ser livre?
Talvez as minhas
próprias correntes."


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Escritora Caipira - Um dedo de prosa!



O ÚLTIMO CAPÍTULO

 

Ele nunca me deu uma chance para digerir o adeus.

Tomou e comunicou a decisão e pronto! Unilateralmente. Não me deu a oportunidade de uma despedida.

Eu só teria que me conformar, sem discussão. Teria que me acostumar sem os abraços, os beijos, os sorrisos, os elogios, as promessas de estarmos juntos sempre que possível. Mesmo que o possível levasse muito tempo.

Sei que haveria muitas lágrimas, a dor da saudade antecipada, muitos abraços apertados, aquela sensação horrível da partida sem volta...

No entanto, tudo o que começa precisa de um fim. Senão vira filme inacabado e isso é muito ruim.

Fica aquela sensação de retorno, de possibilidade; aquela esperança da volta que sabemos, nunca acontecerá. Mas que teima em ficar.

Foi egoísta: curtiu, gostou e marcou hora para acabar, se esquecendo de que havia outra pessoa, humana, sensível e apaixonada do outro lado da linha.

Sim: deu um basta pelo telefone!

Eu fiquei perdida, pasma, sem saber o que falar...

Devo ter dito uma porção de palavras e frases desconexas, porque não conseguia pensar...

Tantos anos já se passaram e aquela sensação ainda está aqui... Aquela sensação de abandono, de ser deixada à deriva, de não significar absolutamente nada, onde antes parecia ser tudo.

Se a dor foi forte? Imensa. Tanto que ainda persiste.

Tem cura? Não sei. Sei que tem remédio. A cura é uma questão de tempo.

Estou tomando em pequenas doses algumas cápsulas de orgulho próprio, várias gotas de dignidade e uma dose maciça de auto-estima. Parei de engolir o que possa me machucar. E mudei as regras do jogo: a partir de agora, quem volta a dar as cartas da minha vida sou eu!

Não quero ninguém controlando o que faço, o que sou ou o que pretendo fazer.

Não quero ninguém me humilhando ou duvidando da minha idoneidade.

Estou realizando o meu último ato de amor nessa relação. O maior deles, talvez: estou dizendo adeus. E faço isso depois de muito tempo, mas não tarde demais.

Pessoas são como pássaros: precisam de liberdade para voar. Pessoas amadas são pássaros que precisam de espaço e liberdade para voar. Pode ser que migrem e retornem. Pode ser que encontrem seu lugar. E se encontrarem, não era amor de verdade o que deixaram para trás.

Ele levantou vôo para nunca mais voltar, deixando-me presa e solitária na gaiola da ilusão. Um dia, percebi que a porta estava aberta e mesmo assim, não tive coragem de fugir. Todo o tempo olhava para a portinhola aberta. Até que, para minha surpresa ele voltou, como se nada tivesse acontecido e fôssemos apenas velhos e bons amigos. Bem que eu tentei. Juro que tentei! Mas quanto mais o tempo passava, mais eu notava o quanto ele era indiferente. Eu não conseguia sair da gaiola: as grades nos separavam apesar da portinhola aberta. Ele pousava do lado de fora, mantendo distância e de lá, falava comigo.

Sempre havia um braço de distância entre nós, como se a mão dele se encostasse ao meu peito, impedindo-me de me aproximar e eu patinasse, patinasse, patinasse no nada.

Certa tarde, ele não apareceu. Olhei para a portinhola aberta, respirei fundo e parti, ganhando o mundo.

No caminho, cruzei com ele indo no sentido contrário. Ele acenou. Eu fingi que não vi. Continuei a minha jornada sem nunca mais olhar para traz.

Se me arrependo? Não. Mas ainda choro.
Poderia ter sido tão simples: bastava uma despedida.
Quem sabe assim, poderíamos ter sido amigos de verdade.



Escrito por Débora Bellentani às 22h22
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A NOTÍCIA DO DIA É: ELE É LINDO. PERFEITAMENTE LINDO.

Evaristo Costa – Jornal Hoje – TV Globo/SP


Evaristo Costa é um desses homens que, se me parasse numa festa, eu ficaria olhando para ele com cara de “Bete – a feia”, dando um duro danado para não babar... E se ele me perguntasse: "
- Você conhece alguém da festa?", com aquela voz deliciosa, eu responderia (mesmo que não conhecesse): “- Hã, hã!”...
E
varisto poderia fazer qualquer pergunta!
- Você trabalha na área?
Eu certamente responderia sem tirar os olhos dele:
-Hã, hã...
- Gosta de estar entre as pessoas?
-Hã,hã!
- Gosta de conversar com elas?
-Hã, hã?
- E você só fala “hã, hã?”
- Hã, hã...
Ele faz parte dos homens que se dissessem que você é feia, gorda, dissimulada, esquisita... Se mandasse você cair fora, com certeza ainda escutaria:
- Hã, hã.
Mas é claro que Evaristo não deve ser o tipo de homem que faria uma grosseria dessas. Não, não! Com certeza soltaria uma gargalhada gostosa e abriria aquele sorriso divino – sim, di-vi-no, porque só os deuses devem sorrir assim! – e como bom cavalheiro que é arrumaria uma forma polida de sair dessa, quem sabe com um “com licença, tem alguém me chamando. Divirta-se na festa”.
Ao que obviamente eu responderia com um:
- Hã, hã!
E acho que ficaria nesse estado de êxtase até que alguma amiga me desse um chacoalhão e me colocasse no mundo real.
Quando ele aparece no jornal Hoje, preenchendo as 33 polegadas da minha TV eu literalmente paro pra ver.  Ele fecha o rosto naquela expressão séria ao dar a notícia e não dá para segurar um suspiro. E quando ele sorri ou faz um comentário inteligente? Daí da vontade de entrar na tela, pular no pescoço dele e dar um abraço bem apertado, daqueles que só uma mãe sabe dar num filho do qual se orgulha, lascando um beijo de estalar na sua bochecha.
Pensaram bobagem, né?
Aos 51 anos, só dá mesmo para suspirar por um homem assim e ver nele, o filho de sucesso que gostamos de ter – e olhe que eu tenho dois gatões e uma gatinha de arrasar!
É muito bom encarar a vida com bom-humor, ver e apreciar a beleza das coisas e, principalmente, das pessoas.
Evaristo é o inatingível que pode estar presente de repente, não mais que de repente, na vida da gente. Lembro-me que, quando fazia a pós-graduação na ESPM, em São Paulo, havia um repórter esportivo muito bonito que fazia o maior sucesso com a mulherada. Um dia, entro na sala de aula e quem vejo: o próprio. Ele era marido de uma das minhas colegas! Nem preciso dizer que a matéria do dia acabou ficando de lado, tamanha a tietagem geral das garotas e dos garotos! Pena que não consigo lembrar o nome dele... Cesar eu acho...
Outro encontro casual e feliz foi com Carlos Nascimento. Uma vez, em uma recepção aos franqueados McDonald´s em S. Paulo, na outra, quando escrevi o cerimonial da festa de aniversário dos Cem Anos do Jornal Cruzeiro do Sul, apresentado por ele. Claro que somente eu me lembro disso e sei que, na história da vida dele, sou o grão de areia que participou da sua trajetória no anonimato. Para mim, significou um grande momento profissional.
Sou professora. Sou publicitária. Trabalhei como jornalista. Dentro de um contexto bem menor, centenas de pessoas passaram pela minha vida e muitas se lembram de mim. O inverso é quase impossível. Assim como me lembro de quase todos os meus professores, mas seria pedir demais que eles se lembrassem de mim! Apenas nos tornamos mais próximos de alguns.
Bem, vou descansar e deixar vocês, meninas, com essa foto estonteante desse homem maravilhoso.
Perdoem-me os amigos de plantão, eu sei que vocês também são lindos, mas, falem a verdade: é difícil concorrer com ele, não é?
Mil beijos.
Escritora Caipira.



Escrito por Débora Bellentani às 00h11
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Caipira amanheceu acabrunhada, pensano nas coisa que dexô pra traiz.
Foi intão que a arma di poeta ficô sôrta no terrero e se deixô levá pra longe, muito longe e fez uma história criá.

 Arma poeta

Lá atraiz das montanha onde a lua esconde o rosto
Bem longe dessas paradas por onde agora me enrosco
Tem um cabocro bunito iguar nunca vi assim:
É o amô da minha vida que tamém se esconde de mim!

Numa manhã dessa onde o sor parece briante, lá nas terra onde nasci,
Conheci Pedro Bunito e logo me enterneci.
Aqueles zóio faiscante, lindos, da cor do mel,
Parecia estrela cadente, querendo fugi do céu...
No rosto tinha um sorriso, desses de enfeitiçá
Que embora já faça tempo
Não me esqueço de alembrá.

Tinha um cavalo maiado, coisa rara de se vê
E gravado nas espora, um apelidu  de muié.
Embora nóis conhecesse, todo mundo nas parage
Nenhuma Caipirinha estava nas nossa listage!

Nossa primera conversa, foi na praça lá da igreja
Eu vermeia de vergonha, ele tímido com certeza
Ele segurano o chapéu com força
Eu enrolando a barra da ropa...

Falamo das nossa casa, nossa famía, nossa gente,
Nossos gosto, nossos prano,
Nossos sonhos – tão diferente:
Eu queria ir pra cidade, estudá e ser argúem
Ele queria argúem que num deixasse dele
Nem por nada ou por ninguém.

Eu queria trabaiá, ficá rica, ajudá em casa
Ele queria uma muié pra criá a fiarada.
Eu dizia que ele era machista
E ele nem sabia o que era

O que eu acabava de falá...

Fiquemo amigos do peito, desses de trocá segredo
E essa amizade ensinô, que amá não é brinquedo.
Na festa de São João, bem na frente da fogueira,
Pedro Bonito me chamô, logo depois da bebedeira,
Me agarrô pelo braço, me lascô um bejo robado
E disse que num queria mais sê meu amigo:
Queria sê meu namorado!

Num consegui me afastá, sentino aquele abraço forte,
E o calor daquele corpo me tirô o norte.
Cuma lágrima nos zóio, pra Pedro eu disse sim
E ele me levantô pro arto, gritano pra todo mundo ouvi...


Ficamo junto por dois ano e ele falava em casá,
Só que já chegava perto, o dia do meu vestibular
Eu achava que pudia, ir embora e estudá,
Que Pedro Bunito cum certeza, iria me isperá.

Mais pra meu ispanto, no dia de eu imbarcá,
Quando o trem tava chegando ele veio me abraçá
E no meu ouvido baixinho, começou a sussurá:
Sinto muito minha caipira, mais vai tê que iscoiê;
Sê vai imbora pra iscola ou eu mi esqueço de ocê.

Com as lágrima caindo, me afastei sem hesitá
Subi no trem, fui embora, sem pra traiz querê oiá
O coração aos pedaço e a arma a despedaçá...

Cinco ano se passaram e consegui me formá,
Trabaiei lá na cidade, até experiência acumulá
E um dia vortei pra casa, pra fazenda adminstrá...


Meu pai tava na estação, minha mãe emocionada
Meus irmão tudo orgulhoso, as mãozinha acenava
Minha terra me esperava como se não tivesse acontecido nada.
Tudo era igual como antes e eu não parecia mais cabê ali,
Nu entanto percisava, com certeza, cumpri o qui prometi.

Nu dumingo toda arrumada, fui pra igreja rezá,
Quem sabe Pedro Bunito, não se encontrasse por lá?
Dito e feito lá estava, e logo ele me viu
Deu aquele seu sorriso e meu chão quase sumiu...
Era comu si o tempu, não mudasse os sentimentu
E eu pudesse recomeçá.

Terminando a missa, na saída, ele foi me percurá
E me deu aquele abraço, tão gostoso de matá...
Perguntô como eu tava e quantu tempu ia ficá,
Eu disse prele “pra sempre” e ele danô a chorá.

Fiquei meio atordoada, sem sabê o que fazê,
Sem palavras esperei, o que ele tinha por dizê.
Antes ficasse calado, mas num pude impedi:
- Eu vim aqui na igreja, como faço nos dumingo,
Mas desta vez é especiar...
Enquantu ocê estudava, pra sua vida melhorá,
Conheci Maria Rita, que jurou sempre me amá,
Casamu faz nove meis e tudo tá no seu lugá.


Moro lá no pé da serra, por detrais daqueles montes
E ela num podi vir junto porque é muito distante:
A mãe dela ta lá em casa deixano tudo bunito
Porque a quarqué momento, pode nascê nosso fio.

Mais quero que ocê saiba, qui podi mi visitá,
Afinar é minha amiga, cum quem sempre pude contá,
Minhas porta tão aberta, sempre qui percisá.
Vim aqui agradecê, por tudo que Deus me dá
E pedi pra que conserve, minha vida como está.

E falano tudo isso, me abraçô mais uma veiz,
Pois o chapéu na cabeça, montou e desapareceu.
Olhando a poeira na estrada, meu coração apertô,
E uma dor dilacerante, quase, quase me matô.

Peguei o meu cavalo e fui embora num galope,

Entrei na casa depressa, pra ninguém me vê chorano...
Quando o desespero passô, fui minha sela arriá
E tive uma surpresa que minha vida ia marcá:
Preso debaxo dela, um envelope, um biete:
- Fica cum Deus minha amiga, num sabia o que dizê,

Mas acredite Caipirinha, desde muito pequeninha,
eu sempre amei você.

Hoje já não falo mais caipira, viajo pra todo lugar.
Meus pais já estão velhinhos, nunca quis me casar.
Na parede do meu quarto, um quadro a enfeitar:
O bilhete de Pedro Bonito, para sempre eu me lembrar
Que na vida as escolhas, podem até nos fazer mudar,
Mas um amor que é de verdade, nada vai poder matar.



Escrito por Débora Bellentani às 21h12
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51: UMA BOA IDÉIA.

 

Fazer 51 anos significa que meio século já era!

A parte boa é que, se essa é a atual fase da meia idade, tenho muito que planejar até os 102.

Aproveitando o ensejo – e ensejo é bem uma palavra de quem tem mais de 50 anos! – nada melhor do que dar uma virada na vida.

Hora de experimentar o novo, encarar os desafios, fazer coisas que antes pareciam apenas um sonho distante.

Comecei com pequenas delas: a primeira foi comprar uma cadeira descente para poder trabalhar. Uma daquelas que passei a vida toda vendo apenas meus chefes usarem e que, se soubesse sua real importância, teria, eu mesma, pago uma para mim, descontadas as parcelas dos meus rendimentos mensais – vulgo holerite. Este pequeno detalhe me pouparia das dores que hoje sinto com tanta intensidade... Mas, falar delas é outra coisa que quero eliminar.

Outra mudança legal é a minha nova forma de arte. Inicialmente, pinto panos de copa utilizando riscos pré-existente, mas, logo, estarei criando com eles. Precisam conhecer minhas rosinhas de conchinhas, coletadas nas praias de Ubatuba! E outras tantas “artesitas más” (desculpem-me o portunhol. É apenas uma gracinha sem graça)... Vou fazer uma exposição de tudo em casa. Convidar os amigos velhos e os novos amigos, os vizinhos e os interessados em produtos “made by hands” (sei, sei, também preciso aprender Inglês!)...

Livros? Poesia?

Muitos na memória. Tantos que chegarei aos 102 sem ter terminado nenhuma das histórias e sem espaço para armazenar tantas prosas e versos. Prosas poéticas também!

O publicitário Mauro Sales, ao prefaciar meu romance MAX, disse que sou poetisa até quando escrevo prosa. Ele estava certo: uma aura poética está sempre ao meu redor, iluminando os meus dias. Há poesia em tudo o que vivo. Eu respiro poesia. Sou uma romântica incurável. Adapto-me as mudanças, mas, não gosto delas. A vida seria mais simples se não vivessem mudando tanto as regras. Inclusive as da escrita!

51 anos é o primeiro passo para o resto das nossas vidas. Quem já passou sabe bem disso. Com certeza tornou-se uma pessoa diferente do que sempre foi. Confesso que ando um tanto quanto intolerante para o meu gosto, mas, para quem passou metade da vida fazendo absolutamente tudo o que os outros esperavam de si, acho que tenho o direito de contestar alguma coisa agora. Nunca é tarde para se começar!

Bem, vou ficando por aqui. Logo colocarei minhas artes lá no meu fotoblog... Ainda faltam cinco panos para pintar e algumas artes para criar. Depois, vou à luta.

Espero por vocês quando minha exposição acontecer!

Um beijo a todos, com muito carinho. E obrigado por passarem por aqui.



Escrito por Débora Bellentani às 01h18
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Meus 15 anos


Eu não tive valsa, nem festa, nem comemoração ao fazer 15 anos.

Os meus amigos me acompanharam numa matinê no clube da Estrada de Ferro Sorocabana. Era um daqueles bailinhos pró-formatura da época, onde pagávamos uma mixaria para entrar e curtíamos as músicas da época ao som de conjuntos locais – alguns deles muitos bons, por sinal.

O meu primeiro amor não estava lá. Claro que, naquela época, eu já tinha uma queda por amores não correspondidos... O que de certa forma me faz pensar que, meu marido foi o único homem que me amou... Do jeito dele, mas amou...

Na verdade, o primeiro amor veio mesmo muito tempo depois e quase – eu disse QUASE – transformou-se no único. No entanto, uma beleza morena madura e sensual o tirou de mim... Por ironia, eu confirmei a realidade na festa de 15 anos da irmã dele!

Lembro-me ter me sentido tão ultrajada! Eu achava que, em respeito aos meus sentimentos e pelo rompimento ser recente, ela não deveria estar lá. Mas estava. E todo o meu complexo de inferioridade também! Eu era magrinha, seca, raquítica, uma tábua para a época... Ela, um mulherão! Estranho como, de repente, os amigos dele nem sequer notavam a minha presença. Também pudera: estava difícil competir com aquela mulher - enquanto eu era apenas uma menina! - vestindo branco mini e frente-única que fazia transparecer todos os seus dotes... Competição injusta.  Fui embora chorando. Sabia que não dava para ganhar. Depois disso, jurei não amar mais ninguém. Na verdade eu nunca soubera bem a diferença entre amor e paixão.

Continuo achando que o amor tudo perdoa, tudo suporta... Mas confesso que adoro a emoção que traz uma paixão. Só que nunca estamos preparados para a sua morte... Aliás, não estamos preparados para morte alguma. Para perda alguma!

Tudo isso agora faz parte do passado. E confesso que, se consigo rir do acontecido, já é um bom sinal. Na verdade, eu deveria odiar! Deveria xingar, achar mesmo que fui sacaneada... Afinal, eu era a virgem que acreditava na pureza dos sentimentos humanos, nas pessoas e que via esperança no mundo. Eu tinha 17 anos nessa época.

Um dia acordei e descobri que não haveria um único homem capaz de respeitar tudo isso. Não mais: os anos 70 trouxeram uma liberdade misturada com libertinagem que confundia as melhores cabeças, os filhos das melhores famílias.

Comecei a namorar meu marido um mês depois de fazer 18 anos. Ele foi meu primeiro homem. Casamos em 1979 e estamos aqui, no mesmo teto, há 30 anos, com todos os altos e baixos que uma vida inteira a dois nos traz.

Dia 20, volto a fazer 15 anos. Sim, porque, já que faço 51, inverter os números não é má idéia...

Não haverá festa, nem valsa, nem os amigos para me levarem dançar. E a banda, depois de 36 anos, provavelmente não exista mais!rs.

Mas, falarei sobre fazer 51 em outra hora.

Agora, estou assistindo Eleven Hour.



Escrito por Débora Bellentani às 11h17
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O PAÍS DAS DESIGUALDADES
Minha filha queria me dar um ingresso para o show do Roberto Carlos no Teatro Municipal, que acontece no dia 26, já que este é um mês de dupla comemoração para mim - Dia das Mães e aniversário.
A surpresa veio quando acessou o site para fazer a compra... É óbvio que ela não pode comprar ingressos de R$ 1.200,00 mas, sabe que eu me contentaria com algo bem mais em conta...
O Banco Itaú patrocina o evento de 50 anos de carreira do "rei" e fechou questão: abre amanhã a venda de ingressos apenas para clientes do Personalitè e deixa as sobras para o público em geral... O ingresso médio, em lugar descente, custa em torno de R$ 400,00! A partir daí, fica mais fácil - e beeemmmm mais barato! - assistir ao show em casa, em um DVD!
O país das desigualdades, que prega ser crime a discriminação, permite que ela seja vergonhosamente praticada sob o disfarce do patrocínio. Assim, empresas ganham dinheiro, conseguem descontos no IR e se escondem atrás de instituições beneficentes, doando a renda ou parte dela para a "caridade". Uma caridade que não temos nenhuma certeza se acontece de fato. Da mesma forma que as empresas sentem-se no direito de duvidar da nossa idoneidade reputação ao conceder-nos benefícios, exigindo tanta documentação que assusta - às vezes dão-nos a impressão que querem que desistamos do negócio! - temos o direito de duvidar o quanto elas realmente fazem pelo bem público.
Sem dúvida este seria um presente que me deixaria feliz... Mas, a felicidade, às vezes, custa muito caro e, nem vale tanto quanto aparenta...
Aliás, estou cansada de ver essa falsa ideologia de empresas, em todas as áreas!
Primeiro, elas poluiram o planeta e agora, entram em campanha para tentar salvá-lo... Todo mundo prega a reciclagem mas não conseguimos que retirem o lixo que separamos porque está "barato" demais vender! Hipocrisia do povo! Afinal, se ia para o lixo e não valia nada, o pouco que se paga é lucro! E além do mais, quem recicla quer tudo limpinho e devidamente separada, transferindo para nós as despesas com água para lavar, recipientes para ensacar... Todos querem ficar apenas com o que o dinheiro proporciona!
Não existem "bonzinhos" nessa história toda. Sempre alguém quer ganhar alguma coisa! Tudo funciona em cima de estratégias de marketing escancaradas, que deixaram a sutileza de lado há muito tempo, mostrando que SEMPRE existe um ganho atrás de cada ação beneficente. E pensar que trabalhei tanto para isso!
A quantidade exagerada de apelação "marketeira" e publicitária tem prejudicado o nosso senso de certo ou errado. Sim, porque é errado matar o planeta, mas também é errado usar falso subterfúgios para salvá-lo. É na educação que se resolve a maioria dos problemas brasileiros. A conscientização começa no lar. Como uma criança pode salvar o mundo se ela nem tem mais tempo de ter contato com ele? Se a maioria dos pais fazem com que passem a maior parte do seu tempo se preparando para serem um "adulto de sucesso"? (o que nem sempre acontece e o ser humano acaba por perder a melhor, verdadeira - e talvez única - fase da sua vida.
Caramba!
E tudo começo com o show do Roberto Carlos!
Pois, é, mas são tanta emoções que não dá pra ficar calada.
Um lindo dia!


Escrito por Débora Bellentani às 09h35
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Palavras escondidas de mim.

 

Não sei onde ENCONTRAREI forças para continuar essa busca por VOCÊ. Quem sabe poderei UM DIA revisitar as pequenas coisas de nós dois. Sentimentos, não podemos mais trocar, ou mesmo as doces lembranças... Não sei se ao vê-lo novamente, EU LHE DAREI uma chance de dizer uma única palavra. Desta vez não poderá me calar com O BEIJO roubado. Nem poderá falar do quanto está APAIXONADO... Tanta coisa foi esquecida, abandonada, QUE SE PERDEU no caos do destino. Não posso imaginar onde estão as marcas daquele amor, nascido NO TEMPO em que a única coisa que sabíamos era sonhar! SERÁ O FIM de uma história? Será que depois DE UMA LONGA e interminável contagem dos dias, das horas, dos minutos, dos segundos, não restou mais nada? Será que você não ESPERA mais nada de mim? Eu acreditei que ter você fosse o início de uma época de paz... No entanto, acabei em guerra comigo mesma. E O COMEÇO chegou ao fim antes do que se esperava. Tive chance DE UMA NOVA VIDA. No entanto, amar você foi sempre mais do que eu pudesse dar conta. Então, fingi esquecer!



Escrito por Débora Bellentani às 00h10
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Pássaro-poeta

Dizem que os pássaros cantam de tristeza porque estão enjaulados.
Poetas são pássaros das letras: fazem versos quando estão apaixonados, presos a um amor não correspondido.



Escrito por Débora Bellentani às 21h04
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Amor pra cachorro

 

Meu pequeno poodle está namorando.

Tenho duas cachorras aqui. E ambas estão na fase do namoro explícito – desses que hoje é tão comuma gente ver os jovens praticando, sem nenhum escrúpulo, pelas ruas, sequer se importando com a hora do dia.

Vendo o quanto ele batalha para chegar ao quintal, foi inevitável não fazer uma analogia. Claro que escolhi o lado masculino, mas, poderia muito bem aqui falar de fêmeas no cio! (Rindo muito).

Não há obstáculos que o segure! Assim, pensei nos homens que miram uma presa e fazem absolutamente qualquer coisa para conquistá-la. Dizem até “eu te amo” se preciso for – mulheres adoram ouvir “eu te amo”... Derretem-se todas! Claro que há aquelas que se fazem de duronas, que discutem o relacionamento, que fogem do assunto, que encaram o sexo oposto e dizem “não estou pronta para isso”... Mas cá entre nós, só tenho visto isso nas séries de TV americanas! É mais fácil falar essas coisas em um roteiro ou em texto como este, porque há todo tempo do mundo para a consciência agir.

Voltando aos homens: o instinto animal nunca esteve tão presente.

O que me preocupa são os relacionamentos sem consequência, os encontros sem quaisquer cuidados, o número cada vez maior de gravidez indesejada (em um país onde aborto é considerado crime!)... Já pararam para pensar na infinidade de irmãos que estão se relacionando com irmãs sem o saberem? Já passou pelas suas cabeças o número imenso de mulheres que têm filhos e os abandonam à deriva no mundo?

Alguns têm a sorte de encontrar uma família, mas, e aqueles que não têm?

As mulheres, por sua vez, relacionam-se com vários homens, trocando de namorado como se troca de roupa. Hoje estão casadas ou amasiadas com um, algum tempo depois com outro e, não raro, têm filhos dessas relações. Os homens, por sua vez, continuam suas vidas e constituem novas uniões... Assim forma-se um perigoso círculo vicioso, com grandes possibilidades de que os filhos se encontrem na estrada do mundo e acabem por apaixonar-se.

O que falar, então, daquelas mães que se negam a revelar os pais dos seus filhos?

A Natureza é sábia.

Nela, espécies descendentes que se cruzam, vão ficando cada vez mais debilitadas e deficientes. A regra é válida para os seres humanos, afinal, embora racionais, somos animais!

Deus nos deu a racionalidade para que não cometêssemos essa barbaridade (entre tantas outras que conhecemos)...

Acho que essa loucura toda acaba explicando porque, antigamente, nossos pais tinham - aquilo que achávamos uma neurose – a necessidade de conhecer as pessoas com quem convivíamos e a família de quem namorávamos... Não era apenas uma questão social, mas sim, uma proteção contra os sustos que viver nos acarreta.

Meu cérebro tem passado muito tempo livre e, com essa liberdade, consigo ver além das janelas de um escritório ou dos noticiários da TV. Consigo PENSAR. Sei que pensamentos são idéias ao vento. No entanto, pensadores mudaram o mundo. Não que essa seja a minha pretensão, porque sou apenas um grão de areia na imensidão do Planeta. Mas estou aqui para fazer com que você também pense.

Assim, da próxima vez que for sair atrás da fêmea no cio, da fêmea carente, ou da fêmea desejada, pare para pensar nas consequências. Afinal, somos responsáveis por tudo aquilo que cativamos (obrigada Exupéry) e pelos frutos bons ou ruins que o mundo colher.



Escrito por Débora Bellentani às 14h39
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Guerra da Alma

 

Como faço para me libertar de um amor que não faz sentido?

Como faço para soltar as algemas de um sentimento que apenas me destrói a cada dia, causando dores que não posso suportar?

Como faço para não desejar mais olhar nos olhos, sentir um abraço, um beijo ou apenas ouvir a voz?

Como posso saber tudo isso e, simplesmente, não conseguir dizer adeus?

Hoje, não se trata mais de coisas de poeta.

A poetisa em mim está tão triste e desiludida que não vê graça em seus versos.

Para quê ficar juntando letras, sons e ternura no papel se não há um sentido para tudo isso?

Sim, a vida perdeu o sentido. E essa é uma expressão típica dos românticos insensatos.

As pessoas normais logo rebatem isso com frases feitas como aquelas que se referem às conquistas que se teve na vida: um lar, uma casa, filhos, família, saúde... Elas não entendem que é o coração de um poeta quem pensa, fazendo com que ele aja de forma diferente, transformando seu corpo inteiro em um emaranhado de sensações que vão do euforismo à depressão em tempo recorde.  Os médicos chamam isso de atitude bipolar. Mas médicos e cientistas vivem procurando nomes para os fatos que não conhecem ou para os que não conseguem explicar.

Sou uma pessoa inteligente e tenho todas as respostas para as perguntas que fiz aqui.

Assim como sei que o melhor remédio é a distância, pois ela traz o esquecimento. No entanto, é uma cura dolorosa.

Menotti Del Picchia já dizia em seu famoso poema “JUCA MULATO”, quando o personagem procura um curandeiro para tratar da sua doença:

“A peçonha da cobra eu curo... Quem souber
cure o veneno que há no olhar de uma mulher!
Vencendo o teu amor, tu vences teu tormento.
Isso conseguirás só pelo esquecimento.
Esquecer um amor dói tanto que parece
que a gente vai matando um filho que estremece
ouvindo, com terror, no peito, este estribilho:
"Tu não sabes, cruel, que matas o teu filho?"

E, quando se estrangula, aos seus gemidos loucos,
a gente quer que viva e vai matando aos poucos!
Foge! Arrasta contigo essa tortura imensa
que o remédio é pior do que a própria doença,
pois, para se curar um amor tal qual esse...

- Que me resta fazer ?

- Juca Mulato: esquece!”

Um beijo a todos e excelente dia.

Escritora Caipira.



Escrito por Débora Bellentani às 08h48
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Um teste de vida ou morte

Após minha demissão tive um período terrível onde fiquei absorvendo as perdas.
De todas elas, a mais sentida foi a das pessoas as quais eu julgava amigas.
É óbvio que tudo começou com a minha cirurgia: nenhuma visita.
Depois, estendeu-se para os dias nos quais tive suspeita de câncer no seio e meu marido foi diagnosticado com tuberculose.
Decidi-me pelo isolamento.E podem apostar que foi uma sábia decisão.
Hoje me pergunto: onde estão aqueles que se diziam meus amigos enquanto eu estava na mídia? Aqueles que elogiavam e admiravam o meu talento? Aqueles que faziam questão de dizer em reuniões socias que eram meus amigos? Aqueles que sempre me pediam um favor em nome da amizade? Aqueles que faziam questão da minha presença em suas reuniões? E tantos tipos mais que passaram pela minha existência, aprenderam alguma coisa e bateram asas...
Alguns, fingem não me conhecer em alguns eventos.
Bem, o que me deixa menos triste é que, se eles aprenderam algo de bom comigo, o resto não importa: fiz a minha parte. Afinal, sou admiradora de São Francisco de Assis. Mas que fique bem claro: admiradora! Não sou São Francisco de Assis. Nem tão pouco Madre Tereza de Calcutá.
Eu preciso sobreviver como todo mundo e, do meu trabalho!
Fugir fez bem porque reatei velhas e preciosas amizades que o tempo dedicado ao trabalho não me permitia encontrar. Aproximou-me da família e fez com que eu me relacionasse com pessoas muitos especias - entre elas clientes cujos laços são de respeito e ajuda, afinal trabalho com a vaidade das pessoas, tanto na propaganda quanto na representação de cosméticos!
Estou mais ligth. Aos poucos, perdendo o medo de ser feliz, de sorrir.
Minha sensilibilidade não acabou, apenas andou quietinha aqui dentro, observando as coisas do mundo...
E eu quis escrever sobre tanta coisa... Tanta coisa injusta que vi acontecer... Mas, não vale apena falar de injustiças ou perdas quando se tem um mundo para reconquistar.
Desafios? Ainda bem que eles existem. Sem eles, a vida não teria sentido.
Paixão?
Bem, isso já é uma outra história...

Um bom dia a todos.
Escritora Caipira



Escrito por Débora Bellentani às 16h58
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Tempo de mudanças

 

Realmente entrei 2009 de forma completamente diferente...

As festas de final de ano trouxeram novamente a alegria à minha casa, recebi amigos, reaproximei-me da minha irmã de leite... Foi fantástico.

No entanto, o que realmente mudou a minha vida foi um pequeno gesto, praticado no primeiro dia que cheguei em Ubatuba.

O entardecer, embora tivesse chovido, escondia alguns raios de sol, desenhando um fundo perfeito para o mar agitado, pulsando vida.

Havia muitas conchinhas na areia, centenas de milhares delas. Quem me conhece bem sabe o quanto sou apaixonada por conchinhas. Talvez seja porque elas resgatem a criança que não tive chance de ser à beira da praia: só fui conhecer o mar aos 18 anos (embora isso não significasse muito, porque demorei a deixar a criança em mim se esconder um pouco – sim, um pouco, porque ela persiste aqui dentro e me deixa muito feliz!).

Os jovens caminhavam à frente e eu, seguia atrás, apreciando cada detalhe. Minha visão de ir à praia tem um ângulo diferente do das outras pessoas. Eu aprecio cada detalhe, aproveito para meditar, torno a reconhecer a minha insignificância diante de Deus, observo o horizonte, os pássaros. Escuto as ondas, sinto a brisa. Gosto de respirar fundo nessas horas e pensar em quem amo! Assopro ao vento desejos de paz, alegria, felicidade, sucesso, realizações a todos os que quero bem. Parece que saio do mundo real e entro em um espaço onde tudo é absolutamente perfeito. Talvez seja por isso que sempre o mar me presenteia com alguma coisa especial.

Desta vez foi fascinante: eu olhava as ondas se quebrando e, de repente, vi sobre uma delas uma enorme concha! Ela cabia na minha mão! Estava fechada. Eu a peguei e saí correndo para mostrar ao grupo, que não prestou muita atenção e nem deu muita bola, pois, não estava na mesma sintonia que eu. Tudo bem. Fiquei olhando para a concha na minha mão maravilhada... Já havia ganhado outra em Boracéia, há alguns anos, inclusive, um pouco maior do que a de agora.

No entanto, surpreendi-me comigo mesma ao chamar um garotinho que estava na beira do mar e dizer:

- Você já viu uma conchinha deste tamanho?

O pequenino arregalou os olhinhos e sacudiu a cabeça... Aquela reação levou minhas lembranças à infância do meu pequeno Fernando. Viajei quase trinta anos no tempo! Então eu perguntei a ele:

- Quer pra você?

Óbvio que ele quis. Juntou as mãozinhas e eu coloquei a concha nelas. Ele correu em direção ao guarda-sol dos pais, mostrando alegremente a sua concha gigante!

Fiquei uma semana na praia e, todos os dias eu pensava naquela atitude e me questionava se havia feito o certo. Afinal, o mar me dera um presente! Porém, ao mesmo tempo eu me sentia feliz porque o tinha passado adiante e feito uma criança feliz. Então, descobri o quanto de egoísta havia em mim e a pessoa na qual eu havia me transformado até antes daquele momento.

Para minha surpresa, enxerguei uma Débora desligada de tudo, cujas únicas coisas que conseguia enxergar, nos últimos quatro anos depois da fusão da empresa eram: manter o emprego, saldar as dívidas, manter a família unida, encaminhar os filhos e, vez em sempre – porque acabou se transformando em rotina – ir á médicos e mais médicos, porque a saúde estava acabada!

No ano em que fui demitida, eu só falava ou pensava na aposentadoria – não que quisesse parar! – eu queria ter uma renda segura para poder escolher um caminho mais tranqüilo e ir em busca da pessoa Débora que havia se perdido. Tantos foram os problemas com minha saúde e do meu marido que não tive tempo para pensar em nada... Continuei sobrevivendo. Até que, naquele dia, em janeiro de 2009, um gesto simples me perturbou, me pôs em cheque e me fez como que acordar de um longo pesadelo.

Deixar de ser egoísta e reconhecer que o prazer em dividir alegria com o próximo era a parte de mim mais intensa durante toda a minha vida foi um triunfo. Bastou um único gesto para que a minha vida mudasse o seu curso. Ou melhor, voltasse a ele.

Muitas coisas aconteceram até hoje, quando escrevo este post. Mas podem acreditar que só coisas boas se somaram aos meus dias.

Sempre é tempo de reconhecer onde falhamos. O mais difícil é corrigir as falhas. Tudo o que quero agora é corrigir injustiças. Inclusive as que cometeram comigo. Mil beijos.



Escrito por Débora Bellentani às 17h38
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Festejem. Riam. Orem. Agradeçam mais do que peçam. Não importa como tenham sido os dias: todos tinham uma lição embutida. Todos foram um presente de Deus!  
Beijos.
Débora.



Escrito por Débora Bellentani às 19h47
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MEUS NOVOS LIVROS:

VENDO!

Queridos amigos:

Estou vendendo, com exclusividade, apenas doze exemplares dos meus livros - seis de cada gênero: O SOL DA MANHÃ DE ONTEM e TODAS AS HORAS, respectivamente short novel (pequeno romance) e poesias. Cada exemplar custará R$ 25,00. Os interessados em adquirir podem enviar e-mail para debora.bellentani@gmail.com que instruirei como proceder ao pagamento e como enviarei os mesmos. Abaixo, foto dos livros que, fiz em casa, um a um, da impressão ao acabamento final, inclusive a capa.

      

Beijos,

Débora Bellentani



Escrito por Débora Bellentani às 20h03
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Tato

 

Minhas mãos percorrerão o teu corpo

Identificando cada centímetro do que já conheço:

Digitais que estão além das pontas dos dedos...

 

À meia luz quero me entregar por inteiro

A esse sentimento que acaba com todos os meus medos

E que está comigo há tantos anos que até esqueço.

 

Há tanto por descobrir apesar do tempo

Tanto o que desvendar no silêncio

Que muito parecerá tão pouco!

 

Não quero que acabe no primeiro instante

Tão pouco dure para sempre,

Mas que grude em mim como tatuagem

 

Que fique como mensagem encravada na rocha

Hieróglifos de saudade,

Unidos num verso de uma rima só!

 

Só, mas sem solidão.

O meu cheiro e o teu cheiro misturados

Em uma viagem sem volta...

Realidade de presente para quem não teve medo de esperar.

 

Tato.

Toco os seus sonhos e você os meus desejos.

Toque.

Em nossa homenagem, o tempo fará parar as horas.

 

Na melodia do destino seremos uma canção.

Alma e coração.

Gestos e ternuras.

 

Não quero acordar agora.

Quero deixar que os minutos se esgotem em câmera lenta:

Não é mais preciso adormecer para sonhar.

 

 

Débora Bellentani – 19h57 - 03/11/08

Exatos vinte anos após lançar meu primeiro livro Lua de Papel



Escrito por Débora Bellentani às 20h12
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Senhoras e senhores, preparem-se para mais um espetáculo:
vem aí o julgamento do casal Nardoni!

Midias: estamos de olho!



Escrito por Débora Bellentani às 18h12
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 Há muitos anos, ainda no colégio, fiz um poema chamado “Um dia, talvez, quem sabe!”. Inspirada no título resolvi escrever este texto, descrevendo um pouco do meu jeito poeta de ser. Então, lá vai.

 

UM DIA, TALVEZ, QUEM SABE.

 

Passei anos da minha vida desejando que ele voltasse.

Por algumas vezes o procurei, mas, temerosa da sua reação, agi como sempre faço quando estou tensa: falei, falei, falei sobre mil coisas e vários assuntos, quando eu só queria dizer “Eu te amo. Volta pra mim”...

Quando eu partia, pensava: -“Ah! Tudo bem! Não foi desta vez. Mas um dia, talvez, quem sabe...”

Esses dias foram se passando e o reencontrei quando as marcas dos anos já nos tinham transformado em outras pessoas. Em novas pessoas! Melhores, talvez...

Novamente eu desandei a falar sobre mim enquanto ele me olhava e me ouvia como se o mesmo relógio da vida que nos separou, tivesse parado.

E lá fomos nós novamente, cada um para o seu canto enquanto eu pensava: “Um dia, talvez, quem sabe”...

Os dias continuaram a voar nas asas do tempo e, numa noite serena, nos encontramos uma vez mais, numa dessas obras do acaso.  E novamente eu falei tantas coisas, ele falou muitas coisas e nos despedimos timidamente: eu, com quem esconde um sentimento do ser amado, ele, como se aquele fosse mais um encontro casual entre velhos amigos. Inevitavelmente, pensei: “Deixa pra lá... Um dia, talvez, quem sabe...”

Mas a correnteza dos dias não pára e nem sempre o vento sopra a nosso favor. O barco da vida segue seu curso e somos navegantes sem rumo, mesmo quando achamos que controlamos tudo.

Por vezes pensei em procurá-lo novamente qualquer dia desses, olhar nos seus olhos expressivos, dar-lhe um abraço forte e suspirar de saudade pelo que passou... E no mais profundo silêncio deixar que coração e corpo falassem todas as palavras de amor que a minha voz abafou. Mas, de novo chacoalho os ombros e numa atitude infantil falo em voz alta: “um dia, talvez, quem sabe”.

Sei que não é difícil encontrá-lo, que posso vê-lo a qualquer momento, mas desta vez, faltam-me palavras. A certeza de que deixei passar a chance de ter, pelo menos tentado, me cala a alma.

Com ele, aprendi a ser poeta. Não que ele tenha sido a inspiração de todas as minhas poesias, mas, foi a essência de todos os meus sentimentos. Foi com ele que conheci a força do primeiro amor e todas as emoções que ela nos traz, revolucionando nossas idéias, conceitos, valores e ideais. Em nome do amor, às vezes, deixamos de compreender o que se passa em nossa volta, ignoramos os nossos melhores planos, deixamos morrer os melhores sonhos. No entanto, plantamos esperança. Nem sempre a colheita é das melhores, mas, vale a pena todo ritual do plantio.

Hoje, nem posso mais dizer “um dia, talvez, quem sabe”.

As agruras da vida, os pequenos problemas de saúde sempre me incomodando, a incerteza sobre a realidade dos sentimentos, a falta de energia para dar continuidade aos primeiros passos, tiram-me a vontade de lutar... Já não tenho mais medo de seguir em frente, nem mesmo de dizer o que sinto, no entanto, faltam-me forças. Sinto-me como se estivesse apagando aos poucos.

“Um dia, talvez, quem sabe” ficou tarde demais. E eu já não tenho mais tempo para esperar.



Escrito por Débora Bellentani às 10h34
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CHEGA DE TRISTEZA E DE DOR.

 

Eu nem sei o que falar. Sei que duas imagens não me saem da cabeça.

A primeira, daquela jovem de 15 anos, na janela do seu apartamento, pedindo calma.

Como mãe, meu peito se aperta. Tanto que me sufoca... E sufoca a tal ponto que nem consigo chorar!

Coloco-me no lugar da mãe de Eloá, cuja última imagem da filha é de alguém que tenta apaziguar quando o próprio coraçãozinho dispara de medo.

Tudo o que ela queria é que alguém viesse ao seu encontro.

Provavelmente, ela não teve tempo de pensar em nada. Até o último minuto, não acreditava que o louco do ex-namorado atirasse... Nem acreditava que ele fosse louco! Tudo parecia um pesadelo.

A segunda imagem é a daquele maluco saindo ileso, com cara de retardado, sendo levado para o carro da polícia. Sem um único arranhão!

Se eu queria vê-lo machucado? Não. Eu o queria morto!

Morto sim, porque a penalidade é branda neste país, apesar das barbáries que acontecem.

Enquanto imbecis como esse sobreviverem, a violência estará imperando por aqui.

Um país onde bandidos não têm medo da polícia e, muito menos, da pena que irão cumprir.

Especialmente porque eles sabem que dentro dos presídios a lei do mais forte predomina e, quem agüentar o tranco, sobrevive. Portanto, não são os “bonzinhos” que voltam às ruas depois de crimes hediondos. E o pior é que eles fazem escola!

A mídia colabora muito para que a violência assuma ares de superprodução, dando cobertura às atrocidades que vemos nas telas. Enquanto derem Ibope para os bandidos, eles continuarão agindo, cada vez mais, de forma cinematográfica...

O próprio Lindemberg comprova minha teoria: para que colocar aquela camisa do São Paulo Futebol Clube na janela? Exibicionismo puro!

O que se passa na cabeça de um assassino só ele mesmo sabe. Os teóricos tentam explicar e enrolam, enrolam, enrolam, mas não conseguem. Talvez seja porque as teorias estejam ultrapassadas. Talvez seja porque o mundo mudou e os livros continuam os mesmos. Ou talvez seja porque o mundo mudou e nós continuamos a achar que ainda somos o país do “Paz e Amor”!

O medo sempre foi um grande disciplinador. Nós tínhamos medo de Deus, dos nossos pais, de infringir regras morais e os bandidos, da polícia. Hoje, ninguém teme nada!

Poucos têm fé e se têm, não temem a Deus, nem aos seus “castigos” – nem são capazes de enxergar ou entender esses castigos! O que restou da moral está escondido em algumas famílias e instituições que lutam para preservar alguma coisa de bom nas pessoas. As regras foram esquecidas e guardadas nas gavetas de casas, escolas, prédios públicos... Sem a presença da crença em algo Maior, que guie nossas vidas, fica difícil tocar adiante. Sem regras, fica difícil tocar adiante. Sem fé e respeito, resta quase nada à polícia para fazer, sobrando prender o bandido, deixar que o judiciário o julgue e o coloque de volta às ruas.

Sem medidas drásticas, não vamos mudar os rumos da violência.

Você que lê esta página vai achar que estou incitando à violência contra bandidos? Vai me questionar sobre direitos humanos?

Antes de fazer qualquer julgamento, antes de dizer uma única palavra, ponha-se no lugar dos pais de Eloá, assistindo pela televisão a agonia da filha querida de apenas 15 anos, nas mãos de um louco que não vacilou em atirar nela e na amiga. Um bandido que ainda disse que não se matou porque a bala travou no revólver! Um egoísta desumano que não pensou em nada a não ser nele mesmo! Um desequilibrado emocional e social.

Temos algumas saídas e, a maioria delas está dentro de cada família. Dentro de cada casa. No equilíbrio das estruturas morais e sociais. Nem vem não, que falta de dinheiro não é desculpa para ser bandido! Classe média é mal dos tempos modernos: no meu tempo ou se era rico ou se era pobre!

Mesmo porque é cada dia maior o número de bandidos nessa tal classe média!

Falta fé, religião, diálogo. Falta mãe ensinando os filhos da importância de Deus. Um Deus de amor! Um Deus de esperança! Ensinando respeito! É preciso respeitar para ser respeitado. Mãe não tem tempo para falar de Deus com os filhos, mas tem tempo de ir ao pagode, ao happy hour, ao jantar com os amigos...

Faltam escolas pregando que: faculdade, pós-graduação, MBA e sucesso sem bondade, sem humanidade, sem religiosidade, é algo vazio.

As pessoas, todas elas, de todas as classes sociais, precisam aprender a diferença entre FAMA e SUCESSO.

FAMA, até esse tal de Lindemberg conseguiu. É efêmera. Passa. Apaga-se.

SUCESSO dura para sempre.

Sucesso faz parte da vida dos que silenciosamente mudam os seus destinos. Dos que trabalham honestamente. Dos que respeitam as pessoas e as leis. Dos que entendem e se adaptam às regras. Dos que dão a volta por cima.

E entre esses, estão muitos ex-presidiários e ex-viciados que descobriram em tempo o valor da própria vida, para respeitarem a dos próximos.

A correção não pode e nem deve vir das penitenciárias. Quando se entra numa delas, pode ser tarde demais para uma grande maioria. A correção vem de casa.

Como dizia a minha avó: é de pequeno que se torce o pepino.

Mas como se, hoje, não podemos decidir o que é melhor para os nossos filhos? Se não podemos dar sequer um leve tapa na bunda de uma criança sem correr o risco de que o idiota mais próximo chame a polícia?

Espancamento, sim, é caso de polícia. Dizer não a uma criança é nossa obrigação. Porque filhos nos impõem limites. Por deixar que as coisas corram à vontade é que o rio da violência saiu do controle. Vocês já viram como é um rio com forte correnteza? Ele vai passando por cima de tudo.

Tem gente presa em presídios por roubar um boné. Enquanto os bandidos de verdade fazem com que a sociedade tire o chapéu para as suas atrocidades – porque apesar de tanta crueldade é quase impossível compreender como conseguem estar livres.

Cadeia tem que ser rústica, exigir trabalho de todos os presos. Sem TV ou qualquer outra mordomia. Cama, comida, trabalho, estudo e religião para quem assim o desejar. E só.

Bandido não tem que virar notícia! A mídia deveria ser proibida de cobrir eventos violentos. Vai me falar de liberdade de expressão, de imprensa? A liberdade tem que ter dois lados. Se as emissoras não têm a capacidade de discernimento sobre os riscos das suas coberturas, então precisam de um basta. Também precisam de regras. Notícia não é só coisa ruim!

Um dia, eu assistia ao noticiário e não ouvi nada além de informações sobre economia, fatos relevantes para se levar o dia numa boa, como trânsito, previsão do tempo, projetos interessantes, dicas de cultura e coisas assim, bem leve. Surpreendi-me com a expressão de uma pessoa ao meu lado: “-Ué, já acabou o jornal? Sem tragédia, sem crime, sem sangue?”...

Pois é, a coisa está tão feia que estamos nos acostumando a receber más notícias e não notamos a importância das boas.
Meus pêsames à família de Eloá e melhoras à Nayara. Não vou dizer que é apenas isso o que posso fazer, porque, desabafar neste espaço já é um passinho a mais para fazer as pessoas, pelo menos, pensarem.



Escrito por Débora Bellentani às 14h29
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S.O.S.

Uma lágrima teima em escorregar na minha face, tirando o creme antiidade e borrando a maquiagem.
Mas que ousadia a dela!
Que ousadia em querer tomar parte da minha vida que todos acham tão colorida, tão bela, tão repleta de flores - as mesmas que nunca mais recebi!
A vida com casa, filhos lindos, bom trabalho, profissão, faculdade, pós-graduação, inteligência, livros, arte, dom, poesia...
Uma vida que não permite infelicidade!
Uma vida vista pelo olhar do outro!
Na verdade, minha lágrima é o grito silencioso que não posso dar.
Minha vida é mais concreta do que se imagina!
Nela, não mora poesia de fato. Talvez porque na realidade, a poesia é tamanho extra P e não se encaixa em num espaço tão gigante!
Por algum motivo, há este vazio.
A vida toma caminhos estranhos...
A sensação é de estar num carro e, de repente, ele capotar, virando várias vezes enquanto a história da sua vida passa como num filme, o qual você já não sabe mais o final. E quando tudo pára, depois do barulho das ferragens, dos vidros estilhaçando, fica aquele silêncio assustador. Por alguns instantes, você não pensa em nada. Não se encontra. Não sabe o que aconteceu nem aonde está. Depois começa a se desesperar e a desejar ajuda, que parece nunca chegar. E finalmente, quando ela chega, tudo o que você quer é sair de dentro do carro, sem se importar com as conseqüências... Se você se machucou, se tem que ir ao hospital, se só se arranhou, não interessa... O que importa e ter sobrevivido. E vêm aquelas frases feitas como "nascer de novo", "rever a vida" e tantas coisas mais que são apenas, frases feitas. Porque tudo o que você quer fazer, é chorar! E agradecer a Deus por sobreviver.
Ao mesmo tempo, se pergunta onde estão os entes queridos, os amigos, as pessoas que realmente importam. Porque é isso que realmente faz sentido naquela hora: é revê-los, abraçá-los. É sentir-se vivo por inteiro!
Acho que estou me sentindo assim: saindo do carro que derrapou na pista, capotou, girou, ficou destruído, mas ilesa. Com alguns arranhões, algumas escoriações, alguns roxos e uma pequena cicatriz num lugar bem visível só para me lembrar de que preciso ser mais prudente.
Acho que estou assim, pedindo socorro.

Um lindo dia a todos.



Escrito por Débora Bellentani às 10h02
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Rápidos no gatilho

Eu estava pensativa, distante e um colega de trabalho me peguntou:

- Algum problema, Débora?

E eu respondi:

- Problemas de relacionamento.

- Verdade? O que está havendo?

- O meu carro está perdendo potência!

E ele:

- Ah! É fácil: põe viagra no motor.



Escrito por Débora Bellentani às 11h04
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BIG BANG

Ou seria BIG BANDO? Ou ainda BANG-BANG?

 

Enquanto milhões morrem de fome pelo mundo afora, cientistas de vários países – inclusive do Brasil - gastam US$ 10 bilhões para tentar ser Deus!



Escrito por Débora Bellentani às 10h13
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Divagações sobre o mesmo tom


Quantas de nós já não quis ser o "mim" da "canção que você fez para mim" cantada por Roberto Carlos. De todas as canções... Letras simples, cheias de amor, no entanto, podem revelar caminhos perigosos. Muitos deles, não vistos e nem notados por mulheres – e por que não – homens apaixonados. Falo aqui do perigo ou da beleza das interpretações das palavras. Vamos tomar como exemplo a bela canção abaixo. E divagar... Divagar muito!

Perdoa
Composição: Roberto Carlos

Perdoa
Não leve tão a sério o que eu te disse
Eu só queria que você me ouvisse
E de repente me descontrolei e gritei

Eu sei
Te acostumei de um jeito tão bonito
Que você não suporta quando eu grito
Mas é verdade tudo que eu falei

Não queira
Que eu seja como manda o figurino
Nem me castigue assim como um menino
Eu só gritei mais forte o meu amor

Não faça
De conta que com isso não se importa
Me abrace, esqueça tudo e feche a porta
Me diga o que quiser, mas por favor

Perdoa
Eu sei que em nosso amor você acredita
Então apaga tudo, volta a fita
E bem mais tarde a gente vai dormir

O que parece um pedido de desculpas ingênuo pode fazer com que reflitamos sobre o quanto podemos ou devemos perdoar. Quantas vezes é possível fazer de conta que não se está magoada ou triste porque, de alguma forma, somos agredidas verbalmente e não temos a coragem de falar. Algumas desabam em lágrimas. Outras gritam mais alto ainda e aí a situação pode ficar caótica. Algumas se resignam ao silêncio e a dor parece que vai fazer implodir tudo: coração aperta, peito aperta, estômago dói e o medo cala... Medo de reagir. Tudo é ruim quando alguém grita com a gente. Mas nada é pior do que quando esse grito vem de quem amamos. Mesmo que seja para "gritar mais forte o seu amor"... E nem sempre é possível abraçar, voltar a fita e ir dormir mais tarde... Não sem antes se dizer o que se sente... Sem antes falar que se está triste... Porque não dá para ir para a cama com um nó na garganta! O prazer do sexo não apaga a dor da alma!



Escrito por Débora Bellentani às 19h28
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O QUE EU ESPERO DE VOCÊ

O que espero de você não vem embrulhado para presente.

Não tem cheiro, não tem gosto, não tem cor.

Está nas entrelinhas das palavras,

No brilho do olhar,

Na força do pensamento.

O que espero de você não tem preço,

Nem moeda no mundo capaz de representar.

Está entre valores esquecidos,

Sonhos abandonados,

Canções incompletas,

Versos por terminar.

O que espero de você

Só você sabe!

Só você conhece.

Só você entende.

Não há verbo que possa conjugar,

Não termina num ponto final,

Não pode respirar numa vírgula,

Não dá espaço para interrogações.

O que espero de você tem gosto de abraço forte,

Sensibilidade de beijo com paixão,

Mistura de perfume com suor.

Mas o que espero de você de verdade,

É a cumplicidade de um sorriso,

A certeza da presença

E saber que o para sempre veio para ficar.


(Este poema é uma homenagem a uma pessoa que vive nas nuvens, sem nunca tirar os pés do chão!)



Escrito por Débora Bellentani às 22h22
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EXAME DE RENOVAÇÃO DA CARTEIRA DE HABILITAÇÃO.

Sim, eu também faço essas coisas!
E pensando bem, acho até que está sendo legal. Mesmo fazendo a opção por ser autodidata.
Só uma coisa me deixou invocada: aquela história de sinalisar o local do acidente contando passos largos, de acordo com a velocidade permitida no local e dobrando em dias de chuva.
Logo imaginei um acidente chegando quase no final da estrada que leva à Tapiraí. São 348 curvas!
Levando-se em conta que a velocidade máxima seja 60Km por hora eu teria que contar 60 passos largos. Considerando-se ainda que, havendo uma curva tem-se que suspender a contagem para reiniciar logo após seu final, lá iria eu começar do zero e, logo a seguir, já ver iniciar a próxima curva.
Algumas coisas provavelmente aconteceriam nesse interim: se houvesse vítimas graves no local do acidente, elas certamente morreriam por falta de  socorro. Eu, provavelmente, subiria a serra inteira e voltaria a Piedade tentando achar um lugar para sinalizar e não encontraria, o que colocaria em risco os acidentados, meu carro e os demais motoristas que trafegariam pela estrada. Isso se eu não morresse antes de conseguir porque, cá entre nós, não tenho preparo físico nem para andar um quarteirão!Hahahaha.
Brincadeiras à parte, é óbvio que em momentos como este, usamos o bom-senso. Damos um jeito. Nem sempre é possível cumprir ou levar à risca todas as regras. Observando-se a segurança de todos, é possível achar uma saída. Tudo bem que o livro justifica que cada cálculo foi feito por especialistas, mas, cá entre nós, é muito fácil traçar regras por trás de uma mesa.
Imagine você ter que desviar do ciclista que está na contra-mão, passar um metro e meio dele e desviar do pedestre que insiste em sair da calçada - e que muitas vezes o faz porque as calçadas estão em péssimo estado e/ou são verdadeiras armadilhas: na minha rua, uma é feita de piso, daqueles bem lisos. Nem preciso esclarecer né?...
E voltando ao ciclista: tenho que desviar dele a tal distância o que, fatalmente, me fará invadir a pista oposta, já que as ruas são para lá de estreitas, em especial nos novos loteamentos, para se ter mais espaço às casas e se ganhar mais dinheiro com elas... Rua com faixa dupla contínua... E se eu bater num outro carro por causa de desviar do ciclista - o que estava certa, mas invadi a faixa dupla - no que estava errada, posso atropelar o pedestre que chega no outro lado da calçada. E a única responsável continuo sendo eu: a condutora do veículo!
Será que não está na hora de dividir responsabilidades?
Bjs.
Um lindo dia.



Escrito por Débora Bellentani às 00h41
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SÓ DE PASSAGEM!

Fiquei tempo sem vir por aqui. Sem passar ao menos. Também, depois do que disse aí em baixo, precisei de muito fôlego para respirar. Também parei para uma auto-análise... Parei para ver até quando e quanto vale a pena dar amor sem nada em troca. Aí fica óbvio o quanto perdemos tempo com essas coisas enquanto a vida passa - ou "a fila anda" como diz a moçada. E para mim não se trata da fila dos amores, mas sim, da fila dos dias que seguem rápido, da vida que teima em voar baixo... Não dá mais para ficar vivendo do ontem, nem muito menos do amanhã. Hoje é tudo, absolutamente tudo o que importa. Quero e serei feliz agora, com o que tenho e com o que desejo.
Bem, mas esta é apenas uma rápida passagem. Tenho tanto para dizer. Coisas que vi nestes dias passados e que me inspiraram a escrever sobre elas. Por enquanto, fica a dica: Amazonia - a música do Roberto Carlos. Atualíssima! E a letra de Mucuripe (um pequeno detalhe dela) feita por Fagner para Roberto Carlos. Muito pano para manga. Ou melhor: muitas letras para boas palavras.
Enquanto não volto, fiquem com as fotos dos meus "netos". Não vale rir!
Aguardo os babies de verdade chegarem - um dia!... Por enquanto, fico feliz com estes. rs

Este é o Frank. Dormindo. Uma raridade!

Esta é a Pink, namorada do Frank. Ambos filhotes da Fabi e do Rica.

Esta é a Emily. Da Samantha e do Fer. Charmosíssima.



Escrito por Débora Bellentani às 22h01
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O primeiro amor.

Há tanto o que lembrar sobre o primeiro amor.
Sobre aquela pessoa com a qual sonhamos casar, constituir família, ficar ao lado para sempre e para o que der e vier.
Hoje, fiquei lembrando sobre o ele.
Não aquele amor platônico com o qual sonhava mas, aquele com o qual fiz planos de ser feliz, mesmo sem que ele soubesse...
Com ele, descobri que para sempre poderia não existir. Deveria ter aprendido a lição e ser realista.
No entanto, quanto mais os anos passam, mais percebo que, inevitavelmente, será para sempre! Apesar da distância, dos rumos diferentes, do quanto mudamos - porque não somos mais aquelas pessoas que se conheceram entre a adolescência e a juventude.
O que mais me lembro dele, são as mãozinhas: pequenas, quase infantis, com os dedos gordinhos, como as dos bebês rechonchudos dos comerciais de TV. Como eu gostava das suas mãos! E daquele jeito menino de inclinar a cabeça antes de sorrir! Ele falava pouco e dizia muito. Sabia ouvir. Quando indignado, fechava os olhos e cerrava os lábios, chacoalhando a cabeça. Tinha uma risada maravilhosa.
Coisas assim ficam em nós! Não há como esquecer.
Que bom que ambos seguimos os nossos caminhos em busca da felicidade separadamente.
Assim, não nos decepcionamos um com o outro e ainda podemos lembrar do que fomos e sorrir sozinhos, nos nossos momentos de solidão.



Escrito por Débora Bellentani às 12h52
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MEIO SÉCULO DE VIDA

Daqui alguns dias faço 50 anos.
Levando-se em conta a jornada humana, tenho ainda mais uns 20 anos por viver.
Durante minha existência tão tumultuada, lotada de histórias para contar, percebi que não sei se a pessoa que está aqui agora é a mesma que viveu todos esses anos.
Fiz coisas que nunca imaginei fazer. Desafiei conceitos. Agi, em muitos momentos, como se não fosse eu: foi exatamente aí que pratiquei atos que iam contra os meus princípios. E ir contra os princípios é muito grave. Podemos chamar isso de “pecado", pois, realizamos coisas as quais não fazem parte do que acreditamos ser certo ou errado e isso nos faz muito mal... Nos faz até, adoecer! Se eu cometeria os mesmos erros? Com a experiência de hoje, NÃO!
Eu gostaria muito de pedir perdão a tanta gente. Gostaria de ter tomado outros rumos. Gostaria de ter ido mais ao encontro dos meus sonhos. De ter sido menos influenciada pela família e seguido o meu coração.
No entanto, entre um tropeço e outro, talvez eu tenha seguido o meu coração!
Ah! Eu havia planejado uma festa com alguns amigos! Infelizmente - ou felizmente - a demissão me impediu de fazer a comemoração – sem grana não dá! Hoje, tenho absoluta certeza de que muitos a quem eu considerava amigos sequer lembrarão a data!
a pior descoberta ao se fazer 50 anos é a do tamanho da solidão.
Será que fui uma pessoa tão cruel assim? Que nem percebi o quanto passava para as pessoas um ar de arrogância descomunal?
O pior, é que nada foi intencional. Sempre fui de dizer o que pensava. Tive o meu próprio senso de justiça! Fui ética ao extremo e ninguém percebeu. Pelo contrário: achavam que não! Mas sempre vislumbrei o outro lado das coisas.
Lembro-me de uma vez em que disse a um amigo que eu era uma pessoa ponderada e ele sorriu ironicamente me dizendo: Ponderada? Foi a primeira vez que percebi que fazia as coisas sem pensar muito nelas! Que era extremamente impulsiva ao tomar decisões. Fazia e pronto. Depois pagava o preço.
Devo desculpas a pessoas maravilhosas! Mulheres fortes e corajosas as quais superestimei, até notar que elas eram tão frágeis quanto eu.
Nunca quis destruir nada a não ser a mim mesma. Era como se eu me castigasse pelos meus erros. Como se quisesse vingar-me do peso que a infância me colocara nas costas e o qual eu carregaria para sempre.
Foi preciso muita análise até mudar o foco.
Hoje, estou chateada por perder o emprego o qual tanto amava. Magoada por descobrir que, chega um dia, em que, por mais forte que seja uma amizade, ela não resiste à força dos números e das cifras. Estou insegura do meu talento mesmo sabendo que entendo do que faço como poucos!
Às vezes, nem sei por onde recomeçar!
Às vezes, quero esquecer tudo e fazer de conta que nunca exerci a minha profissão. Mas é quando me pego dando conselhos de comportamento frente a problemas de comunicação, quando me vejo, informalmente, dando diretrizes para amigos e parentes nas condução das suas carreiras, quando analiso uma situação de mercado e encontro uma saída ágil em questão de minutos, que ressuscito o melhor de mim!
Sim, eu tenho uma agência! Eu e meu filho abrimos uma. Mas, sozinha, não se vai a lugar algum! E ainda se esbarra na burocracia de um órgão chamado CENP, que regulamenta a atividade profissional, exigindo de quem começa uma equipe, uma estrutura e uma carteira de clientes para que se possa receber as comissões de veiculação – Ah! E ainda cobra por isso! Cobrar de quem não tem?! Um procedimento injusto para quem começa do zero! Um procedimento que só favorece a quem já está estabelecido no mercado. Tá vendo? Cá estou eu sendo sincera, falando o que penso.
Dizem que uma mulher de 40 anos pode tudo! Pensando assim, uma mulher de 50 pode o que? Com certeza não é descansar! Com certeza não é passar os dias no limbo!
Eu achava que havia perdido o pique, até ir a uma balada na quarta-feira passada e me deliciar na pista de dança onde o DJ caprichava nas músicas dos anos 90 para baixo! Não se espantem, mas saí antes de chegar aos 70s!Rindo aqui!
Estranho ver o espaço reservado ao público jovem - dois salões enormes, lotados de gente bebendo e fumando, com uma música de chacoalhar todos os ossinhos do corpo e, pasmem: PARADAS! Parecia-me aqueles bailinhos dos tempos de adolescência dos meus filhos onde homem ficava de um lado e mulher do outro, encostados na parede ou batendo papo ao invés de dançar! Mesmo porque, cá entre nós, não dá para bater papo numa balada, né? A gente tem mais é que ir e se movimentar... Para quem bebe é uma boa, porque até a bebedeira passa!
Mas quem é uma quase - por muito pouco! - cinqüentona para falar sobre baladas? Rindo de novo!
E por falar em baladas, acho que aceitarei o convite da minha nora Samantha e do meu filho Fernando para curtir uma balada na danceteria deles em são Paulo - a ToyLounge! Um lugar alternativo, cheio de gente interessante, bonita, alto-astral... Será que agüento o tranco? Bem, para quem escreve com tanto trema quando a gramática está em vias de virar no avesso só para se adaptar ao mundo, sei não! (Quando vamos aprender a defender o que somos e ao que é nosso, ao invés de aceitarmos ser o que os outros são? Algum americano já ousou dizer que seu Inglês precisa ser igual ao da Inglaterra? E haja diferenças!).
Queridos amigos, leitores, meus filhos e noras, genro, vocês sabem que sou assim: questionadora! Alguns gostam de dizer: chata! Rs.
No entanto, defendo a soberania como símbolo máximo da liberdade. A vida inteira sou a careta que acha que a culpa da falta de educação dos alunos em salas de aula, das pessoas no transporte público ou no trânsito, do desrespeito aos idosos, ainda é dos pais: vem de dentro de casa! Educação vem de casa. Aprendizado da escola. Aí vêm as escolas particulares e querem misturar os dois: quem decide o que é melhor para os que me cercam sou eu! A diretriz de cada família constrói a sociedade. E a família está se acabando por intermédio dos namoramentos (neologismo para esses casamentos que, apesar das pompas, não duram um ou dois anos. À troca de maridos e esposas como se namorar fosse constituir família). Casar e ter filhos é constituir família. Ter responsabilidade um sobre o outro é constituir família! Transmitir essa responsabilidade é constituir família. Independentemente de papéis oficiais ou igrejas lindamente decoradas! Não existe um casamento, nem o amor, se não somos capazes de ajudar aos nossos parceiros nas dificuldades! Nem que tenhamos que levar uma vida fazendo isso. Amar é isso! O resto não passa de paixão, tesão ou seja lá o que for. Às vezes as circunstâncias podem levar à separação: certas situações nos obrigam a uma decisão. Mas é preciso se ter certeza de que tudo foi tentado antes de seguir em frente.
Talvez vocês achem que isso é coisa de velha! Não, não é! Há muitos jovens que pensam dessa forma por aí e sentem medo de se expressar em razão da pressão da maioria, das tribos que confundem liberdade com libertinagem!
A fase de transição de um país da opressão para a libertinagem já passou. Chegou a hora de transformar o lugar onde vivemos num mundo melhor, sem ser esse que a TV apresenta sob o disfarce de responsabilidade social, desenvolvimento sustentável, e essas coisas com mais cara de marketing para vender serviços do que ação propriamente dita!
Vixe! Nasci, cresci, plantei árvores - muitas delas! Escrevi livros... Será que estou fazendo uma revolução?
Com certeza não! Apenas botando pra fora o que os 50 anos de vida foram me mostrando. Sem neuras. Sem amargor.
Mesmo porque a vida continua e é preciso encará-la com muito bom-humor! (Olha o hífen ai, gente!)
Um beijo. A partir do dia 20 entro no Reino de Alice, no País das Maravilhas e passo a comemorar desaniversários!
Haja festa!Hahahahahaha.



Escrito por Débora Bellentani às 20h55
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MÃE TEM QUE SER AGORA!

Um dia, você acordará sem o abraço de domingo,
sem os conselhos tão oportunos,
sem o olhar de reprovação por cima dos óculos,
sem a companhia para o chá da tarde,
sem as histórias da sua infância na ponta da língua,
sem a represália pelo ato impensado,
sem a bronca por chegar tão tarde e não avisar antes,
sem aquela eterna mania de achar que conhece todos os chás,
todos os remédios para as suas dores,
sem ver o tricô sobre a poltrona
ou a toalhinha de crochê embrulhada para presente,
sem os bolos de fubá,
os bolinhos de chuva,
o cheiro de café invadindo a casa
e, principalmente, aquele sorriso maroto que a tudo perdoa.
Nesse dia,
perceberá o quanto fazem falta as pequenas coisas.
E o quanto eram imensos todos os momentos.
Notará o quanto precisava daquelas pequenas discussões,
aparentemente tão desnecessárias.
E então, se arrependerá de não ter feito mais.
De não ter estado mais presente.
De não ter sido o presente todos os dias do ano.
De não ter tentado enxergar pelos olhos dela.
Mas não se preocupe: mesmo distante, ela compreenderá a sua aflição
e, de alguma forma, pedirá a Deus que lhe envie um anjo,
só para deixar um beijo na sua face antes do sono chegar.
E nos seus sonhos, aparecerá sorrindo,
dizendo com a mesma voz paciente dos dias mais difíceis:
- Minha criança, não fique triste! Ser sua mãe foi a minha missão.
A mais bela de todas as missões.
E tenho um imenso orgulho desse presente maravilhoso que o Senhor me agraciou.
Fique em paz, porque embora ausente, estarei sempre velando por você.
Sim, mães são assim mesmo:
poeticamente verdadeiras e tão cheias de amor,
que nos surpreendem mesmo quando achamos que não há mais nada.
Ver a mãe da gente partir faz-nos rever cada minuto da nossa existência.
E descobrimos - como elas descobriram ao nos verem crescer
e nos transformarmos tão rapidamente em adultos -
que o tempo passa muito depressa, por isso é importante aproveitar cada minuto.
Não deixe as flores para os túmulos das suas mães:
deixem todas elas agora, neste dia, neste momento,
esparramadas pelas casas delas, pelas varandas, pelos jardins.
É no dia de hoje, no agora,
que precisamos entender nossas mães.
Amanhã, pode ser tarde demais!

Débora Bellentani - maio de 2008
Para a minha mãe, Lázara Clarinda Bellentani, que partiu em 1995 deixando muita saudade, com o meu pedido de perdão.



Escrito por Débora Bellentani às 20h29
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Eu e o meu amor por S.Paulo

 

 

Eu tenho por São Paulo uma estranha relação de amor e ódio!

Ódio pelo que não posso mudar.

Amor, pelo que a cidade me representa.

Ela é mágica!

Seus prédios antigos me fascinam, os modernos me encantam. Como caipira do interior, não resisto olhar para cima e deliciar-me com aquela sensação de vertigem ao apreciar as construções tão próximas do céu! Arranhando o céu!

Paquerando as nuvens... Hum... Nuvens... Gosto de paquerar as nuvens também!

Sou assim, meio avoada, às vezes... Nas nuvens... Distraída ou apaixonada, sigo com elas.

Vôo... Sim, decolo na imaginação e vejo todos os detalhes, mesmo nos trilhos do metrô.

São Paulo é uma paixão antiga. Primeiro amor de menina guiada pela mão do pai.

Primeiro amor adolescente ao sentir a liberdade de poder viajar sozinha pela primeira vez e encarar o desafio da cidade-grande, de andar por ela, observar suas gentes de todos os tipos, hoje, de todas as tribos. Era uma São Paulo menor, mas não tão diferente. Tinha menos violência...

Apesar dos tempos modernos, o encanto continua.

Em São Paulo você pode ser você mesmo!

Pode fazer suas escolhas.

Pode exercer a democracia de ser diferente.

Esta caipira, toda vez que desembarca na Barra Funda, ainda se emociona. Nunca se sabe o que virá pela frente: frio, calor, chuva, garoa ou tempestade. Mas de qualquer forma a cidade é intrigante. Há poesia nos vãos das calçadas abandonadas, nas trincas dos prédios desbotados pelo tempo. Dos espaços mais inusitados nascem flores. Nasce verde. Nasce vida.

São Paulo é o berço da criatividade!

Sinto-me em casa. Só não quero morar lá.

Porque a cidade, para mim é como a casa dos pais que se visita depois de algum tempo ausente, onde somos sempre bem-recebidos, paparicados e amados, simplesmente por estar ali. É um lugar para ficar na lembrança, para viver momentos inesquecíveis, para aproveitar os espetáculos da vida, para curtir a cultura e aprender muito. É um lugar ao qual a gente ama mesmo que o tempo passe, passe, passe e passe. E ao qual sempre desejamos retornar.



Escrito por Débora Bellentani às 20h48
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A PROVA

 

 

 

Meu terninho vermelho pendurado na porta do guarda-roupa deixava a marca do meu perfume - NOA, espalhando-se no ar e era a prova concreta da minha solidão.

Não, não estava abandonado.

Eu apenas não queria guardá-lo, porque se o fizesse, estaria colocando no armário da minha vida mais um momento especial.

E eu saberia que, após fechar a porta, não mais o teria de volta.

Sei que ficaria a lembrança. Mas eu não quero a lembrança: quero tudo outra vez.

Não importa se foram minutos ou segundos. Importa que foram.

Havia cumplicidade explícita até no silêncio.

Difícil é esta sensação de que ficou tanto o que dizer. Mesmo no silêncio.



Escrito por Débora Bellentani às 20h20
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Saudade é singular.
Por isso não tem plural!



Escrito por Débora Bellentani às 18h59
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Será que eu sou assim porque sou escritora
ou sou escritora porque sou assim?


Nesta semana, meu amigo Newton Spinardi - que gentilmente está distribuindo meu Max pelo Estado de São Paulo afora - veio em casa buscar mais exemplares. Todo animado, ele entregou-me duas matérias sobre o desfile da Ellus na capital paulistana, realizado nas dependências da antiga Estação Júlio Prestes.
Eu já havia visto a matéria na TV e, apenas comentei com ele que achara muito legal e que deveria ter sido lindo. (Devo até desculpas a ele pela minha atitude!)
Nunca vi uma pessoa mais desligada do que eu!
Só me toquei a respeito quando ele me falou: "- Tá vendo: idéia sua!"
Então percebi que ele falava de Max. Sim, do romance!
Minha heroína faz um ensaio fotográfico dentro de um trem, que sai da estação Júlio Prestes, rumo a Botucatu.
Nessas horas, vejo o quanto sou simplista... O quanto não enxergo o meu lado visionário! O quanto não percebo a minha própria obra!
Newton deixou-me muito feliz porque mostrou que leu e não esqueceu do que escrevi naquelas páginas! Foi demais!
Em nenhum momento eu havia relacionado a história que criei com o desfile que marcou a São Paulo Fashion Week! Embora os comentários sobre a coleção da Ellus não foram os melhores, a idéia agradou.
Bom saber que ela não é inédita! Apenas fez o sentido inverso, já que os modelos chegaram no trem!
Isso realmente faz a gente sentir-se antenada... Até mesmo além do tempo! Explicando: Max foi lançado em 2000 e ficou dez anos esperando na gaveta!
Bem, antecipar tendência faz parte da minha vida profissional.
Dia desses, uma amiga disse ter se lembrado de mim durante suas férias na praia, quando falava com outra amiga sobre os produtos para a pele e os cabelos das pessoas negras. Lembrou-se quando, há muitos anos, eu já dizia que esse seria o grande mercado! Assim como os idosos e os homossexuais.
Bem, estou feliz. Isso me mostra que sempre estive ligada no que se passava em minha volta. Mesmo sendo tão dispersiva.
Agora, preciso aprender a identificar o que previ!
Beijos caipira!



Escrito por Débora Bellentani às 17h42
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Em nome do amor
(Que as garças levem este recado!)

Amo você não pelo que você foi
Mas pelo que representa:
As risadas que dei,
Os sorrisos que esbocei,
O medo que superei,
Os momentos que vivi,
Os sonhos que realizei,
E aqueles que projetei...

Amo você para sempre!
Justo eu, que defendia não existir  "para sempre"!

Amo você pelo silêncio quando preciso
E pelas palavras também.
Pelos gestos simples,
Pelo carinho constante,
Pela presença distante,
Pela paciência de me ouvir!

Amo você pelo que você é,
Não me importando quem você seja:
Amo seu jeito de olhar,
Seu jeito de falar, de cantar,
De tentar fazer poesia que fale de mim!

Amo você tanto e quanto,
Que não caberá, jamais,
Outro amor em meu coração
Que não seja o seu.

Amo há tanto tempo que,
Mesmo quando não quero pensar,
Lembro de você.

Amo você exatamente porque não sei explicar!
Porque surgiu em meio à tempestade
Enfrentou comigo a fúria dos ventos
E mesmo quando partiu, continuou ao meu lado.

Mesmo quando tentei outras paixões,
Não consegui deixar de amar você.
Por isso, talvez, elas passaram tão rapidamente:
O espaço do amor já estava preenchido em mim.

Amo você e somente você sabe quem é você!
Mesmo quando digo que não o amo,
Você sabe que minto...
E finge acreditar no que digo.

Amo você de um jeito que me completa.
Passo muito tempo sem ouvir a sua voz,
E, no entanto, sempre ouço a sua canção...

Amo tanto você que,
Mesmo passando tanto tempo sem o vir
Quando o encontro sinto  disparar o coração.

Amo você como ao primeiro amor da infância
Amo você com a pureza da emoção
Amo você por inteiro
Inclusive com as flores que já me trouxe um dia!

Você não precisa vir me visitar
Porque sempre está comigo,
Mesmo com os espinhos,
Os galhos secos,
As flores envelhecidas
E as dores embutidas.



Escrito por Débora Bellentani às 22h31
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A canção que você não fez pra mim

Quero saber onde está
Aquela canção de amor
Onde os versos falavam de tudo
Onde a vida se enchia de cor

Onde o tempo não tinha medida
A distância era desconhecida
E a paixão trazia coragem
Pra nossa vida!

Não havia a palavra futuro
Porque tudo era sempre seguro
E certeza morava na gente
A todo momento...

Se era pra terminar eu não sei
Porque foi que tudo começou
Talvez fosse o destino querendo
Brincar de senhor...

Nós nos demos o melhor de nós
Ninguém pôde calar nossa voz
E tudo o que nós sonhamos
Chegamos a ter.

Foi um lindo amor esquisito,
Que tornou-se uma história bonita
De tão grande ficou tudo escrito
No alto dos céus!

Lá nas nuvens branquinhas em túneis
Nas garças voando ao léo,
Aviões no infinito planando
E na brisa os recados de amor.

Cá na terra ficaram os mares,
As ondas, rochedos lugares
Onde a vida passava depressa
Mas não para nós.

Pérolas, perfumes ,guitarras,
Filmes, livros, presentes
Tudo voou pelo espaço
Escapou, foi tão de repente...

O que ficou foi talvez
O maior de todos os compromissos
Este sentimento tão forte
Escondido na alma da gente...

Pra sempre!



Escrito por Débora Bellentani às 20h12
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Momento Poético.

"Alguma coisa apagou aqui dentro:
não consigo mais ser poeta!"



Escrito por Débora Bellentani às 19h46
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HÔ!HÔ!HÔ!
FELIZ NATAL!

Véspera de Natal... Várias mulheres, muitas cadeiras em volta de uma enorme mesa, Chesters por temperar, pernil no forno, saladas por fazer e uma profusão de assuntos de dar inveja!
Risos, muitos risos...
Claro que alguns homens marcavam presença, vez em quando, para beliscar um petisco aqui, tomar uma cervejinha ali, ou simplesmente, bisbilhotar a nossa conversa.
Mas o que realmente fez "parar o quarteirão" foi quando começamos a falar de sexo. Note que, a menor idade ali deveria ser uns 27 e a maior, 82! Então, dá pra imaginar o grau de experiência...
Uns dos "rapazes" falou alguma coisa sobre "conto de fadas" e foi o que bastou para que o assunto virasse "uma viagem".
O clássico escolhido foi Chapeuzinho Vermelho e, é claro, o famoso Lobo Mau!
Muitas foram as "sacadas", no entanto, as melhores ficaram por conta das mais velhas... Sim, nós, as mulheres com quase 50 - ou mais!
Teve de tudo! Desde as que queriam saber se o tal lobo era mesmo tão viril, àquelas que juravam nem querer saber notícias do "bichinho".
Teve até quem disse que de Chapeuzinho Vermelho, não tinha mais nada! nem a capa!...
E quem garantiu que o Lobo mau não comia nada!
Também teve quem jurou que o talzinho era pedófilo, porque "pegava criancinhas pra fazer mingau"!
Na verdade acho até que esse lobo era chegado num leitinho, viu?
Outra, chegou a apostar que o seu Lobo, de mau, não tinha mais nada e que, atualmente, andava bonzinho até demais!
Ou aquela que estava mais para a fase de sentar o Lobo Mau no colo para dar mingauzinho para ele!...
E a que jurou que o seu lobo mau, agora, só comia sopinha!
Coitado dos lobos! Só ouviam, indignados!
Alguns lá, às vezes, jogavam a culpa no excesso de vodka com limão!Hahahahaha.
Engraçado foi uma gritar lá de fora: "se alguém achar um lobo mau, me avisa! Porque agora EU sou vovozinha!"

Bem, o fato é que, apesar de tanta risada, de tanta graça ou palhaçada - cada um dá o nome que quiser nessa democracia da alegria - eu acabei parando para filosofar sobre isso tudo. Sobre a história do Lobo Mau, da Chapeuzinho, da Vovozinha. Do quanto somos ingênuas, sonhadoras e acreditamos no tal Lobo. Ou de quando agimos como o próprio, vestidas em pele de cordeiro. Afinal, também somos "mestres" na sedução!
O tempo nos ensina a identificar o Lobo, mas, muitas vezes, fingimos que não sabemos. Aí, depois que ele ataca, nos achamos vítimas! Mas, como ele, estamos sempre à espreita, na caça por uma presa.
Um dia, acordamos Vovozinhas. E Lobos-maus não nos causam mais medo. No entanto, continuamos desejando que eles nos vejam e que despertemos o seu apetite. Mas eles deixam de olhar para nós e voltam os seus olhos famintos para as Chapeuzinhos. Quando descobrem e saboreiam o petisco por baixo da capa tentadora - por isso é vermelha: a cor do pecado! - preferem voltar à choupana para comer a vovozinha.
O que eles se esquecem é que as vovozinhas agora usam produtos antiidade, praticam esportes, fazem caminhadas, curtem Yoga ou Pilates, adoram uma boa música... E aí, o tal lobo, dança! Porque as vovós, hoje em dia, estão no maior pique! E com certeza, riem muito das Histórias da Carochinha!

P.S: Mas elas não deixam de contá-las, porque a fantasia é necessária às nossas vidas. E afinal, nem todo mundo se desencanta na vida!
Bjs.
Escritora Caipira.




Escrito por Débora Bellentani às 21h17
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Ontem, 16 de dezembro, a família reuniu-se para a já tradicional confraternização de final de ano. No encerramento, todos enviaram um Feliz Natal ao meu filho Felipe, que está na Irlanda. Foi demais!



Escrito por Débora Bellentani às 11h44
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"SINTO MUITO MEUS AMIGOS,
MAS EU TENHO QUE DIZER,
ESSE AMOR ESTÁ EM CRISE,
TEMOS QUE RECONHECER"

(Plageando letra de uma canção do Roberto Carlos!)

Em solidariedade a todos os corinthianos, deixo aqui os meus profundos pêsames pelo ocorrido.
Quero também lembrar aos meus queridos e amados amigos que tanto me zoaram quando o Palmeiras sofreu o mesmo desatino, que eu disse que, ainda teria o prazer de ver o mesmo acontecer com o Corínthians.
Assim, quando o meu PALMEIRAS FOI CAMPEÃO DA SEGUNDONA, ouvi os queridos e amados amigos dizerem: CAMPEÃO DA SEGUNDA DIVISÃO! QUEM QUER COMEMORAR UM TÍTULO DESSES!
Eu quis, eu comemorei, eu vibrei.
Porque perder dói, mas sair da lama com ombridade é muito mais gostoso!
E o Grêmio não precisou humilhar, nem dar "olés", nem fazer dribles engraçadinhos. Só jogou futebol! E olhe lá que foi um futebolzinho bem meia-boca, viu?
Esta humilde palmeirense está muito triste, chateada, e plenamente inconsolável neste difícil momento!...
...E TAMBÉM ESTÁ SENDO UMA VERDADEIRA  CÍNICA, MENTIROSA E SAFADA, PORQUE NO FUNDO, NO FUNDO, ESTE É O DIA MAIS FELIZ DA MINHA VIDA!
E AGORA NAÇÃO CORINTHIANA? INTERESSA O TÍTULO E O TROFÉU DA SEGUNDONA?
Sim, porque o mínimo que o time tem que fazer é ser campeão para voltar.
Afinal, NÓS VOLTAMOS CAMPEÕES.
A não ser que eles se contentem em subir em segundo lugar! Ops! Desculpe-me o trocadilho, mas não deu pra segurar!



Escrito por Débora Bellentani às 22h53
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Receita para enriquecer.

-Não precisa ter mais do que o Ensino Médio.
-Quem sabe até, só o Fundamental completo!
-O importante é que saiba ler, escrever, falar bem, ser desenvolto e comunicativo.
-Leia tudo o que vir pela frente.
-Assista todos os noticiários possíveis.
-Leia as manchetes sobre todos os segmentos.
-Monte uma empresa.
-Contrate pessoas que precisam do emprego para sobreviver e pague o quanto quiser para elas.
-Contrate estagiários: mas só os melhores - aqueles que se destacam nos seus cursos cujas áreas de atuação interessam a sua empresa, também pagando uma miséria.
-Quando estiver no auge, com casa própria, chácara, casa na praia, carro do ano, continue com a mesma política de recursos humanos - que nem eram tão humanos assim.
-Continue trabalhando, muito! Ou pelo menos, apareça na empresa para mostrar que está lá.
-Seja o primeiro a chegar e o último a sair (mesmo que fique "enrolando" nesse período todo!).

Parece simples, não é mesmo?
Sim, parece!
No entanto, uma receita simplista como esta pode dar certo por algum tempo, mas pode resultar num bolo que cresce muito, fica bonito e na hora de sair do forno, murcha no centro da forma. Não raro, ultrapassa a altura dela nas extremidades, perdendo conteúdo.
Em resumo: a receita para enriquecer precisa dos melhores ingredientes, de paciência na manipulação deles, de cuidado para que nenhum seja esquecido, da temperatura certa para o aquecimento, de uma forma do tamanho adequado e de um forno onde as chamas estejam bem distribuídas, ou seja - equilibrado.
Portanto, o resultado final dela pode mudar de acordo com quem a prepara. Mesmo que exista uma fórmula que dê certo, nem sempre será o mesmo para todo mundo.
O acréscimo de um tempero, de uma essência, de um ingrediente novo, a ousadia em mudar o formato, a coragem de inovar na aparência, podem alterar tudo!
Mas, seja qual for a sua maneira de executá-la, lembre-se que o elemento humano será sempre o seu melhor ingredidente. Por isso, invista nele sem medo. Por melhor que seja o seu equipamento, ele não trabalha sozinho: há sempre uma pessoa para operá-lo, mesmo que seja apenas inserindo dados.
O plano geral de crescimento citado como exemplo no início do texto deste post poderia até dar certo (já vi isso acontecer), mas seria muito melhor com profissionais recebendo um salário justo.
Bem, isto é apenas só mais uma reflexão.
Boa semana a todos.



Escrito por Débora Bellentani às 22h20
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Se você declamava a poesia e não entendia,
agora pode começar a entender!



Escrito por Débora Bellentani às 14h25
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 A VOZ DO MEU PAI

O que muito me entristeceu ontem foi tomar consciência de que, embora lembre da dicção perfeita do meu pai, não consigo mais ouvir, na memória, a sua voz, Não me lembro mais dela! Trinta e nove anos de ausência é realmente muito tempo! E o tempo é cruel com as lembranças. As imagens ficam para sempre, os pensamentos e as lições também, mas a voz, se não for gravada, desaparece. E pensar que eu tinha um disco de 78 rotações, da Carmem Miranda, onde aparecia a voz dele abrindo a apresentação: fora um presente da gravadora! Onde está? Provalvelmente jogado, quebrado ou virou relógio de parede artesanal: minha mãe doou toda a discoteca dele à uma instituição em Sorocaba, numa tarde na qual eu trabalhava, sem me consultar. Eu amava cada um daqueles discos, porque era a única coisa que achava que ficaria para sempre ao meu lado, marcando a presença do meu pai. Que pena!



Escrito por Débora Bellentani às 13h44
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Eu e a Orquestra Sinfônica

Ontem, na solenidade de inauguração da Sala FUNDEC, projeto no qual trabalhei nesses últimos quinze dias, tive a feliciade de assistir um concerto da Orquestra Sinfônica de Sorocaba, entre outras belíssimas apresentações.
Ao ouvir Vivaldi e Beethoven senti um aperto no peito. como num filme, minha vida passou pela memória. Por algummotivo que desconhece, senti comose estar num lugar como aqule fizesse parte da minha história... Quem sabe?
Mas o que mais me comoveu foi a lembrança do meu pai e de toda a  família dele: gente de uma cultura e im talento imenso que foi obrigada a viver escondida, no anonimato, porque a sociedade preconceituosa e feróz assim os obrigou.
De certa forma, o mundo hoje é muito mais solidário que naquela época. Talvez se vivessem hoje, teriam oportunidades. Mas, não havia espaço quando a juventude fazia parte de suas vidas. Meu tio Hernay era um exímio alfaiate. Tio Laerte era encadernador, gráfico e entendia muito de eletrônica: tinha uma oficina que parecia a do Prof. Pardal, de Disney. Nela, vi nascerem ampliadores fotográficos, relógios de parede à pilha, estações de rádio pirata que usávamos para pura diversão em alguns fins de tardes aos domingos, alianças feitas de moedas (sim, elas continham um pouco de ouro!), ferramentas especiais para o trabalho de manutenção da casa... Já meu pai... Meu pai Aldo tinha uma dicção perfeita. Estudara até o segundo ano de Contabilidade, mas, a doença impedira a continuidade do seu esforço. Ele me ensinava noções de Inglês desde pequena! Tinha muitos, mas muitos discos mesmo! Era locutor de rádio, mas, teve que se contentar em pintar paredes ao sair do Hospital, porque precisava se manter escondido. Era um artista com os pincéis e criara técnicas especiais para fazer barrados - naquela época, usava-se muita cal e tinta à base de óleo, o que provocava machucados profundos nas mãos dele. Minha avó, Cezarina, trabalhara como sapateira, ajudando meu avô, antes que a doença fosse detectada. Fazia um crochê com linha 10 os quais morro de inveja de não conseguir realizar: ainda tenho algumas amostras em casa. E costurava primorosamente.
Uma família que se viu obrigada a deixar seu confortável sobrado no bairro Ipiranga, em S. Paulo, para ser aprisionada nos confins de um sanatório! Eles sofreram muito, mas não perderam a dignidade. Refizeram suas vidas, apesar das dificuldades, do preconceito e das dores que sentiam.

Por outro lado, na família de minha mãe, minha avó Rosa era a parteira do lugar onde morava, um pequeno sítio distante da cidade. Minha tia Nela, uma bordadeira de primeira e minha mãe, que no futuro trabalharia como enfermeira no Hospital para poder ficar ao lado da minha avó, aprendia violino (curso que não chegou a terminar)... Mas elas também sobreviveram!

Orgulho-me muito de todos eles e agradeço a Deus por ter nascido entre tanta gente forte! Viver fica mais fácil quando olhamos para trás!

Um beijo a todos e um ótimo final de semana.



Escrito por Débora Bellentani às 13h35
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Cintilografia Óssea.

 

Parece palavrão. Mas não é!

Trata-se do exame que fiz na quinta feira, dia oito de novembro.

Gente! Eu me senti uma própria fotografia dentro de um scanner! Aquele aparelho enorme ia e vinha com um visor enorme piscando “scanning”...

Imaginem: um rastreamento de todos os ossos do corpo!

Podem acreditar: é uma invasão de privacidade! Hahahahaha... Literalmente você fica sabendo como está se sentindo por dentro!

Foi divertido. Passaram-me mil idéias pela cabeça – ainda bem que o tal aparelho não lê pensamentos! Havia momentos em que queria rir sozinha dessa idéia maluca de estar sendo ”scaneada”. Um barato!



Escrito por Débora Bellentani às 13h00
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Bem, já que ando sem assunto e até um tanto quanto sem graça, aqui vai um velho anúncio para matar a saudade do tempo em que criar, era uma condição sinequanon para ser publicitário. Ai, ai, tô ficando saudosista e isso não é nada legal. Que venham outras!rs

 



Escrito por Débora Bellentani às 19h08
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MOMENTO CAIPIRA FILOSOFANDO

Eita mardade, sô!

Mais i num ié qui hoje adescobri qui o tar do ruwindows parace cumigo... Pois é! Ele tamém é ruwin das vista!



Escrito por Débora Bellentani às 18h53
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TEM IMAGEM QUE "QUASE" NÃO ENVELHECE! HAHAHAHAHA.

 



Escrito por Débora Bellentani às 15h34
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CONVITE:

GIOVANA E ALFREDO

Giovana ama Alfredo porque ele é um homem simples.
Adora sair à noite, aprecia bons pratos e excelentes vinhos, é um cavalheiro.
Nunca foi grosseiro com ela. Mas briga, se preciso! Afinal, uma relação sem discussões é utopia.
Do que ela mais gosta nele? Ah, são tantas as opções!
Mas, as tardes em que passam na fazenda, deitados na grama olhando as nuvens, é algo fantástico. Juntos, enxergam formas que vão das mais românticas às mais exóticas... Entre uma formação e outra, que apontam rindo como crianças, falam sobre o que esperam da vida e, principalmente, um do outro. São tantas as diferenças que eles terão sempre o que falar, o que ajustar, o que melhorar para que a vida seja uma longa e boa estrada a seguir juntos.
Claro que, não apenas nesses momentos eles conversam. Todas as vezes que podem, falam muito. Lentamente, sem pressa. Falam até, no silêncio dos olhares que trocam.
Quando estiverem bem velhinhos terão dito tantas coisas - muitas até, esquecido ou repetido - que, após tudo parecer terminado para os outros, ainda restará muito para eles. Porque depois de tanto tempo, há coisas demais para se descobrir sobre a velhice. Coisas que eles não poderiam discutir ou conversar sobre, sem que chegassem até elas.
Giovana e Alfredo são felizes assim. Simplemente, felizes.
Não importa o que o mundo pense ou fale deles. Não precisam se ajustar ao que está na moda. Vivem de forma a não atrapalhar ninguém, ajudando a quem podem e se amando. E se amando amam aos outros com a mesma força.
No fundo, todos podemos viver como eles. Mas alguns têm medo de parecer babacas demais!
Talvez seja isso que o mundo perdeu: a forma simples de ver as coisas. A hora certa de realizar cada tarefa, cada ação, cada gesto.
Já não tomamos mais o nosso café da manhã direito, não almoçamos direito, nem temos hora para chegar e jantar.
Na verdade, planejamos tanto e estrategicamente para as empresas que trabalhamos e não sabemos mais administrar nossas vidas.
E a falha não é apenas de cada um: tornou-se um ciclo em ascensão. Começou dentro de uma pessoas e tornou-se cronicamente mundial.
Podemo mudar? Claro que sim!
Afinal, os melhores planejamentos, os que fazem um empreendimento ser um sucesso, são aqueles passíveis de atualizações. Exatamente aqueles onde puxamos, à lápis ou à caneta - aquelas anotações nos cantos, riscando, não raras vezes, um parágrafo inteiro, só para recomeçar de forma correta.
Fica aqui o alerta e a sugestão.
Podemos ser como Giovana e Alfredo.

Beijos
Escritora Caipira.



Escrito por Débora Bellentani às 16h48
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NADA COMO TER A PRÓPRIA PRIMAVERA PARA SAUDAR A NOVA ESTAÇÃO!

Eu disse que tinha uma primavera maravilhosa próxima a minha janela. Hoje, quero apresentá-la a vocês. É interessante como ela colore de lilás a minha sala e aquece com sua cor o meu coração. Ela me acalma. Aproveitem bem o cenário, simples, porém intenso. Ouçam a voz da minha primavera expressa na beleza das suas flores.

Bjs.

Escritora Caipira



Escrito por Débora Bellentani às 12h05
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Coisas da vida.

Sempre fui eclética. Músicas, filmes, roupas.
Nunca tive algo que eu gostasse demais ou de menos... Bem, gosto do Roberto Carlos. Mas também gosto dos irmãos Chitãozinho e Xororó, da dupla Bruno e Marrone... Agora fã, fã mesmo, não sei se fui ou sou. Já gostei muito de Chico Buarque. Gosto de Martinho da Vila e de um bom pagode - aquele, o do Zeca! Gostei de Luiz Airão, Muito de Luiz Vieira, Renato Teixeira, Almir Sater. Até de Fábio Jr! Amoooo Skank e Jota Quest. Internacionalmente vou longe, melho nem falar!

Tim Maia! Como posso esquecer de Tim Maia!
Ele e a sua divina, maravilhosa:
LEVA
A canção que um dia, me levou para o mundo dos sonhos e das possibilidades. Que fez-me crer que poderia dar certo, mesmo depois do fim. Mas, foi apenas uma doce ilusão. Com certeza valeu a pena, porque calou na alma. E esta alma, não é nada pequena!

"Foi bom eu ficar com você o ano inteiro
Pode crer foi legal te encontrar foi amor verdadeiro
É bom acordar com você quando amanhece o dia
Dá vontade de te agradar te trazer alegria
Tão bom encontrar com você sem ter hora marcada
Pra falar de amor baixinho quando é madrugada
Tão bom é poder despertar em você fantasias
Te envolver, te acender, te ligar, te fazer companhia
Leva
O meu som contigo, leva
E me faz a tua festa
Quero ver você feliz
É bom quando estou com você numa turma de amigos
E depois da canção você fica escutando o que eu digo
No carro, na rua, no bar estou sempre contigo
Toda vez que você precisar você tem um amigo
Estou pro que der e vier conte sempre comigo
Pela estrada buscando emoções despertando os sentidos
Com você, primavera, verão, no outono ou no inverno
Nosso caso de amor tem sabor de um sonho eterno.":

Mas, das músicas da minha vida, duas me emocionam além da conta: Naquela Mesa e Eu Quero, na voz de Sérgio Bitencourt
Deixarei com vocês,
EU QUERO!
A canção que, na minha adolescência, fazia o meu sonho, ao lado do príncipe encantado, parecer real. Eu me orgulhava de desfilar com ele pelas ruas, mostrando que era só dele e ele só meu! Bem, na verdade não era bem assim... Eu era só dele, mas ele... Acho que era da vizinhança inteira!rs.
Apreciem:

"Eu quero que você me ame
que você me chame quando precisar
Eu quero poder ir embora
Sem ter dia e hora
Pra poder voltar...
Eu quero enquanto o tempo passa
Que você na raça
Saiba me ganhar.
Eu quero ter a vida inteira
Pra fazer besteira e você perdoar...
O que eu sei hoje da vida
Até Deus duvida
E eu vou te ensinar...
Eu sei dizer tudo o queu sinto
E até o que eu não sinto pra me disfarçar.
Eu sei calar na hora exata eu sei que a dor não mata
Mas, pode marcar...
Eu sei traçar a minha meta,
Ninguém é poeta por saber rimar!
E por falar em poesia
Já raiou o dia e eu vou te buscar
Eu quero, juro, de verdade,
Que toda a cidade,
Veja eu te levar...
Por todos os meus desacminhos
Somos tão sozinhos
Que o melhor mesmo é se dar.
Eu quero que você se dane,
Mesmo que eu te engane,
É assim que eu sei te amar.
É assim que eu sei, que eu sei te amar..."

Beijos a todos. E muito amor pra vocês.



Escrito por Débora Bellentani às 18h11
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ESTÃO VOLTANDO AS FLORES

 

Este ano, passei muitos dias sentada no sofá da sala, olhando as flores através da janela.

Tenho uma primavera lilás que encanta, mesmo quando não está florida.

Em janeiro, enquanto me recuperava da cirurgia, ela serviu como distração, abrigando pássaros de variadas espécies, que vinham comer minúsculos insetos sobre o telhado de zinco onde está apoiada.

Minha janela é assim: um retrato da vida.

Pelos seus vidros têm passado muitas histórias. Belas e feras, pode-se dizer!

Mas 2007, em particular, surpreendeu-me.

Enquanto convalescia, observei as chuvas fortes do verão. Também testemunhei a forte tempestade de granizo que deixou montes de 40 cm de gelo na terra, propiciando, depois, uma paisagem britânica, ao criar uma névoa densa que alternava entre misteriosa, maravilhosa e assustadora.

Janela e flores observaram cada ponto que eu bordei na lembrancinha que confeccionava para a minha filha, cujo casamento estava marcado para o início de maio.

Aliás, este foi um ano de grandes eventos...

Com o meu retorno ao trabalho, afastei-me da janela, das folhas, das flores e dos pássaros: egoisticamente eu só pensava na minha carreira, no meu futuro e em me recuperar depressa para voltar a dar tudo de mim, porque sabia que, se assim não fosse, perderia o emprego. Pena que não consegui.

Ontem, sentada no mesmo sofá, tornei a deparar-me com a primavera florida. Repleta de botões que estão se abrindo lentamente... Parei por um segundo e o ano voou pela minha mente... Então, lembrei-me das palavras do meu amigo André, sobre a visão de Ignácio de Loyola quando passou por um período difícil em sua vida e dedicou-se a prestar mais atenção às pequenas coisas, aquelas que realmente fazem a diferença na nossa existência.

Às vezes, tenho uma sensação estranha de que não há nada mais para eu fazer aqui. É como se tudo o que eu viesse para realizar já estivesse feito. Como se a missão já estivesse cumprida.

Terei muitos dias para observar o meu pé de primavera através da janela, enquanto aguardo a minha consulta, a marcação da biópsia e o resultado dela. Os médicos estão otimistas. Então, também tenho que ficar! E estarei, com certeza, por muitas vezes ainda, observando o infinito do outro lado da vidraça.

Por enquanto, quero curtir as pequenas e belas coisas que fazem muito pela gente: a família, a casa e todos aqueles detalhes que nem sempre nos preocupamos em observar... O prazer das coisas no lugar, uma nova cor na parede, mais flores na sala, um aroma especial espalhando-se por todos os cômodos, a comida preparada sem pressa, um bom filme, a amizade compartilhada, uma visita às amigas, às vizinhas... Sei lá há quanto tempo eu não ia visitar alguém sem pressa! Ainda lavo roupas aos sábados e domingos achando que a segunda tenho que ir trabalhar! Loucura!

Fazemos dos nossos dias um acúmulo de horas e, no final das contas, pagamos para trabalhar!

Tudo seria muito mais fácil se vivêssemos com simplicidade. Mas não! É preciso ter a TV por assinatura, a Internet mais rápida, telefone sem fio, a maior televisão, o melhor computador, assistir todos os filmes da moda, ler todas as notícias, saber das fofocas dos famosos, discutir política!

Discutir política: a mais inútil de todas as conversas.

E por falar em política, lembro-me de governo e governo faz-me lembrar do meu pedido de afastamento por motivos de saúde ao INSS: para minha surpresa, não existe código no INSS que identifique a minha profissão. Também fiquei sabendo que, na época da cirurgia, o médico jogou o cargo de “vendedora” para mim.

Como pode?

Publicitário fica louco com facilidade, tem estresse adoidado, depende da cabeça para criar e não tem como justificar ao INSS se, um dia, precisar parar porque perdeu o equilíbrio! E no nosso caso, equilíbrio é tudo, embora muitos pensem que somos desequilibrados por natureza. Muito pelo contrário! Só quem é equilibrado consegue pensar em soluções que façam o seu cliente obter sucesso com a criatividade.

Bem, chega!

Eu falava de flores e acabei atirando pedras nos sonhos da minha janela.

Agora preciso respirar. Respirar fundo e esperar.

Enquanto isso cultivarei algumas flores e continuarei regando o meu jardim.

Sem pressa. Porque quanto mais cuidar do que planto, melhor será a minha colheita.

Beijos.



Escrito por Débora Bellentani às 19h33
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