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QUANDO VIER
ME VISITAR

Quando vier me visitar
Traga flores,
Muitas delas...
Porém,
não me traga
apenas flores:
Não se esqueça
de juntar a elas
A beleza do seu sorriso,
A ternura do seu olhar,
A força do seu abraço.
O calor dos seus beijos...

Quando vier me visitar,
Traga flores,
Muitas delas...
Mas não esqueça
de tirar-lhes
Os espinhos
que machucam,
As folhas envelhecidas,
Os galhos secos,
As dores embutidas...

Quando vier me visitar,
Traga flores,
Muitas delas...
Perfumadas, coloridas,
alegres:
Todas parecidas
com você!
Quando vier me visitar,
Traga você por inteiro...
As flores?
Nem sei se vai precisar!

Autora: Débora Bellentani

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"A vida é isso:
sonhar até que
um dia a realidade
aconteça."

"Cruel não é amar:
cruel é descobrir-se amado
quando se é tarde demais."

"Perdoar é olhar
para a cicatriz
e não se lembrar da dor."

"O que me impede
de ser livre?
Talvez as minhas
próprias correntes."


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debora.bellentani@gmail.com



   

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Escritora Caipira - Um dedo de prosa!



VIAJANDO NO TEMPO


Fechei os olhos por um instante e de repente, me vi no pátio do colégio aonde estuva - o CEONC, em Sorocaba - com o meu uniforme ajustado ao corpo, mostrando curvas que eu não tinha. A calça cinza, o jaleco branco, os sapatos de amarrar...

Como eu era magrinha e aparentemente frágil!

Por um instante, desejei estar lá - se é que não estive!

Visualizei a cantina acesa, os tijolos à vista e o concreto da construção, o jardim próximo às escadas que desciam para os andares inferiores e, para as escadas que davam acesso ao andar superior. A escola ainda era jovem naquele tempo. Tinha apenas três anos. Exatamente os três anos que eu estava ali. Fiz parte da primeira turma do colegial do prédio novo!

Interessante ver-e ali, de pé, comendo a minha coxinha e tomando a coca-cola de garrafa que pedia quase que diariamente. A tia e a atendente da cantina até já sabiam quando eu chegava, o que pediria.

Do lado direito estavam as escadas, que eu chamava de arquibancada... Todas as noites, no intervalo, sentávamos ali para jogar conversa fora com os amigos, trocar olhares, paquerar e até, namorar um pouquinho - o que significava apenas ficar de mãos dadas ou, no máximo, com a cabeça encostada no ombro, ouvindo atentamente o papo da turma.

Estranho me "sentir ali" e viver exatamente aquele momento, daquele dia. Um dia no qual desci depois do intervalo - claro que com o consentimento da professora - para o lanche e para poder "respirar". Puro dejavu... Transportei-me ao passado de fato.

E desejei realmente voltar no tempo e estar ali, tendo a oportunidade consciente de corrigir tudo o que viria dali para a frente.

Eram meus últimos dias na escola. O ano: 1975.

Havia perdido alguns colegas em um pavoroso acidente de carro. Não tivemos formatura em razão disso. Todo dinheiro arrecadado foi para as famílias das vítimas.

Aquela garota triste e sozinha, "curtindo uma fossa" danada pelo namoro recém-terminado estava imensamente perdida.

Aquela garota que não sabia fazer outra coisa a não ser abedecer o que a família instituia, agir de forma correta, amar romanticamente, trabalhar para ajudar em casa e estudar muito, não entendia nada do mundo. De repente, eu saia do colégio e alguém dizia que eu tinha que fazer uma tal de Faculdade.

Eu não estava nem aí para isso!

Eu não sabia o que queria. Eu tinha apenas 17 anos, não tinha pai, minha mãe era uma pessoa difícil, sofrida e cuja preocupação maior eram duas coisas: que eu casasse bem e virgem e, que eu não me tornasse mãe solteira porque isso mancharia a reputação dela e da família.

Reputação. Nome. Honra. Honestidade. Palavras que permearam a minha infância e a minha juventude. Palavras fortes.

Fiz o que pude. Posso dizer que passei em 99% das provas aonde essas palavras se encaixavam durante quase toda a minha vida.

E ainda venho resistindo com elas, mesmo quando parte da sociedade atual faz piada com os que conservam a dignidade.

Estamos vivendo uma inversão de valores muito séria.

O que essa mesma sociedade não entende é que todas essas idéias são cíclicas. Que toda geração pressionada, como foi a nossa, gera uma geração libertina, que, por sua vez, gera uma geração conservadora.

O mundo é feito de revoluções e não de evolução.

Não evoluímos. Aprendemos e corrigimos, mas não evoluímos.

A evolução é coisa da alma, está além do mundo dos homens.

Desde que comecei a perceber o valor do tempo, desde que comecei a perceber que amadurecia, comecei a achar que não estava nesse mundo à toa. Que estava aqui para fazer a diferença. Só que nunca fui capaz de entender quando, como e onde. Nunca compreendi a minha facilidade de escrever, de falar e de me comunicar por intermédio da escrita. Apenas acreditava ser um dom divino. Mas para que?

Talvez seja para falar sobre mudanças. Talvez seja para falar de amor, de paz...

Talvez seja para repetir o que milhares já dizem mas poucos escutam: que tudo precisa mudar.

Que está na hora de mais uma revolução, só que, desta vez, uma revulução interior, aonde cada pessoa deva meditar sobre em qual momento da sua vida ela faz a diferença; em qual momento ela deixa de comentar, de apenas falar, de apenas postar, para realmente contribuir na grande mudança que o mundo precisa.

Quanto de gentileza uma pessoa pratica? Quanto de bondade ela doa no dia-adia e não apenas com o talão de cheque ou comendo um lanche no McDia Feliz?

Acho que estou aqui para fazer as pessoas pensarem menos nas teorias dos MBAs e mais na prática da sobrevivência.

Porque haverá um momento no qual precisaremos ceder um lugar, pedir um favor, obedecer uma fila, respeitar uma criança, um idoso, uma senhora, uma mãe, um deficiente, não porque somos excessão, mas porque faremos parte de um todo implorando por algo para comer e água para beber caso não mudemos nossa maneira de encarar o hoje.

Se não mudarmos o hoje não teremos futuro.

E de nada adiantará os investimentos milionários em teorias nihilistas.

Boas reflexões a todos. Vou fazer mais uma viagem no tempo e já volto!



Escrito por Débora Bellentani às 22h53
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