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QUANDO VIER
ME VISITAR

Quando vier me visitar
Traga flores,
Muitas delas...
Porém,
não me traga
apenas flores:
Não se esqueça
de juntar a elas
A beleza do seu sorriso,
A ternura do seu olhar,
A força do seu abraço.
O calor dos seus beijos...

Quando vier me visitar,
Traga flores,
Muitas delas...
Mas não esqueça
de tirar-lhes
Os espinhos
que machucam,
As folhas envelhecidas,
Os galhos secos,
As dores embutidas...

Quando vier me visitar,
Traga flores,
Muitas delas...
Perfumadas, coloridas,
alegres:
Todas parecidas
com você!
Quando vier me visitar,
Traga você por inteiro...
As flores?
Nem sei se vai precisar!

Autora: Débora Bellentani

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"A vida é isso:
sonhar até que
um dia a realidade
aconteça."

"Cruel não é amar:
cruel é descobrir-se amado
quando se é tarde demais."

"Perdoar é olhar
para a cicatriz
e não se lembrar da dor."

"O que me impede
de ser livre?
Talvez as minhas
próprias correntes."


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Escritora Caipira - Um dedo de prosa!



O dia em que o meu coração parou.

É preciso olhar para trás.
Mesmo que a paisagem não tenha sido das mais belas, elas estavam lá.
Ainda bem que, quando olho pelo retrovisor da vida só enxergo as coisas do meu coração. Coisas que eu, quando adolescente, achava ser o cúmulo da dor, do sofrimento.
Ah, como eu era ingênua!
A vida, em todo o seu percurso, foi me mostrando situações bem piores, com as quais e sobe surpeendentemente lidar e, hoje, não as enxergo com o mesmo olhar pesaroso de então.
Estou em busca dos meus dons, que se perderam em algum lugar entre os meus medos e as minhas lamentações.
Enquanto eu me queixava, envelhecia e, enquanto envelhecia, perdia a visão, a firmeza nas mãos, a habilidade dos dedos.. Agora fica mais difícil fazer coisas tão perfeitas como antigamente. O que muda é o amor e o carinho que coloco em cada peça.
Mas o que mudou em mim? Eu não sei!
Meu coração ainda acelera quando meu cérebro teima e me trai, trazendo aquela imagem dele indo embora para nunca mais voltar.
Toda vez que penso ter esquecido, a lembrança do cabelo raspado, da blusa branca maior que ele e do sorriso aberto enchem meus olhos de lágrima.
Era tudo o que eu imaginava sobre o amor! E foi tudo o que eu guardei durante toda uma vida, deixando para trás a oportunidade de enxergar o mundo como me apresentava e ser, simplesmente, feliz com o que tinha.
Dia após dia eu sentia aquela presença. Anos após anos eu acreditava que ele voltaria, mesmo quando todas as expectativas eram contra os meus sonhos e a realidade, um castigo.
Lá no fundo do meu coração eu acreditava piamente que ele pensava em mim, que se lembrava de nós e que um dia, viria me dizer o "eu te amo" que nunca disse.
À medida que fui envelhecendo, acreditei que tudo passaria. Que o sonho ora transformado em pesadelo me daria uma trégua e me permitiria seguir adiante.
Tantas coisas aconteceram, tantos dias se passaram, até que o destino nos colocou frente à frente, em uma dessas situações tristes que não gostamos de compartilhar. Daí para a frente, com espaço de anos, fomos nos esbarrando na estrada sinuosa do sobreviver.
Até que um dia meu coração parou de sentir.
Simplesmente passou a negar qualquer coisa que simbolizasse um gesto de amor. E mesmo tendo a chance e a oportunidade de ser feliz, eu continuei paralisada pelo medo de sentir dor, de sofrer outra vez, de voltar a me lamentar pelas coisas que não tive ao invés de aproveitar cada minuto do que se apresentasse em minha existência.
Vez em quando, as imagens da adolescência me vêm à mente e eu o vejo perfeitamente, como se o tempo tivesse parado ali. Ficou aquela sensação de que nada aconteceu depois daqueles dias, quando na verdade, nada mais é como antes.

Luto contra essas imagens e esses sentimentos porque não sei mais o que são. Fantasmas, talvez? É como se o passado nunca tivesse deixado de ser presente.
Assim, perturbada pelas lembranças, vou seguindo o meu destino.
Apesar de tudo, fica esta sensação de que sou feliz. Sim, porque a vida presenteou-me com filhos maravilhosos, com o gosto de realizar todas as coisas que sonhei para mim, com a grandeza de um teto e alimentos abençoados para sobreviver. Sou feliz quando olho o meu jardim, minhas plantas; quando colho alguma coisa da minha pequena horta; quando respiro fundo e uma sensação boa de dever cumprido me preenche a alma.
Só não consigo vencer esta melancolia. Esta falta de alguma coisa que não sei o que seja.
Um dia, talvez eu aprenda a amar novamente. Amar com a graça adolescente e a visão de mulher.
Por hoje, fico com a deliciosa sensação da liberdade de escolha.

 



Escrito por Débora Bellentani às 16h55
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